segunda-feira, 8 de março de 2010
Paula Beiguelman e o Dia Internacional da Mulher
Paula Beiguelman
Intelectual brilhante, professora emérita da USP, autora dos livros “A Formação do Povo no Complexo Cafeeiro”, “A Crise do Escravismo e a Grande Imigração” e “Os Companheiros de São Paulo”, entre outros trabalhos. Nacionalista, indignada com o ex-professor da USP Fernando Henrique Cardoso e suas privatizações quando foi presidente, principalmente a entrega da Vale do Rio Doce. Menosprezava os que faziam da política uma profissão e gostava de reler, ao telefone, as matérias de Paulo Nogueira Batista Jr.
Neste 8 de março, minha homenagem é para você. Saudade!
8 de Março e as empregadas domésticas
Por Altamiro Borges
Neste 8 de março, milhares de protestos ocorrem no planeta para comemorar o centenário do Dia Internacional da Mulher. Apesar das controvérsias históricas, a instituição desta homenagem foi aprovada na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em agosto de 1910, proposta pelas comunistas Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alessandra Kollontai. A partir de então, ela passou a ser celebrada em datas distintas em cada país. A greve das tecelãs de São Petersburgo, em 8 de março de 1917, no clima da revolução russa, acabou unificando a data da homenagem.
Neste ano, as manifestações reafirmarão as bandeiras históricas do movimento feminista, contra a exploração de classe e a opressão de gênero. Também denunciarão as guerras imperialistas. No Brasil, os protestos serão focados na defesa no Plano Nacional de Direitos Humanos, que previa o direito ao aborto e foi alvo de brutal campanha das forças direitistas. Também será denunciada a violência contra as mulheres. Apesar dos avanços da Lei Maria da Penha, nove mulheres foram assassinadas no ano passado após registrarem ameaças de violência sexual e doméstica.
Pela valorização do trabalho da mulher
Como afirma a convocatória do protesto unitário de São Paulo, “voltamos a ocupar as ruas para comemorar o já conquistado, mas também para mostrar que a luta por autonomia, igualdade e direitos segue atual... Bandeiras históricas, como a socialização do trabalho doméstico, salário igual para trabalho igual, combate à violência, creches para todas as crianças e direito ao aborto, continuam na ordem do dia do nosso movimento. Seguimos batalhando para mostrar, a cada 8 de março, o quanto nossa sociedade ainda precisa avançar em relação aos direitos das mulheres”.
Um dos eixos do protesto será a luta pela valorização do trabalho. “Ainda hoje é desconsiderado economicamente o trabalho na esfera privada, que ocorre nos lares. Em média, a mulher trabalha 16 horas por dia; a maior parte não remunerada, outra parte, sub-remunerada. Mesmo com maior escolaridade, ela recebe em média 71% do salário masculino... Na crise econômica, as mulheres foram as mais atingidas, pois estão inseridas da forma mais precária no mercado de trabalho, predominando em profissões como empregadas domésticas e operadoras de telemarketing”.
Jornada semanal de 59 horas
Recente pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese) reforça este eixo central da luta das mulheres. Ela aponta que a jornada de trabalho das empregadas domésticas com carteira assinada atingiu até 54 horas semanais em 2009. Para as trabalhadoras informais, a jornada semanal média chega a 59 horas. O estudo também aponta que o serviço doméstico é a atividade com pior remuneração no país. A empregada doméstica recebe, em média, metade do valor pago às trabalhadoras do setor de serviços.
Segundo Patrícia Costa, economista do Dieese, houve tímido avanço neste setor nos últimos sete anos. O trabalho se formalizou, o que tem ajudado a melhorar as condições da profissão. A maior escolaridade e a abertura de vagas no comércio e serviços também fizeram com que o emprego doméstico deixasse de ser a porta de entrada no mundo do trabalho para as mulheres jovens. De acordo com a pesquisa, mais de 77% das mulheres que exercem a atividade têm de 25 a 49 anos.
Mesmo assim, a situação das empregadas domésticas continua sendo uma das mais degradantes, o que reafirma a importância dos combativos protestos em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Na luta contra a exploração de classe e a opressão de gênero reside a força e atualidade do movimento feminista. Como já ensinou Karl Marx, “a libertação da mulher é a condição para a libertação de toda a humanidade”. Viva o 8 de Março!http://www.altamiroborges.blogspot.com/
Intelectual brilhante, professora emérita da USP, autora dos livros “A Formação do Povo no Complexo Cafeeiro”, “A Crise do Escravismo e a Grande Imigração” e “Os Companheiros de São Paulo”, entre outros trabalhos. Nacionalista, indignada com o ex-professor da USP Fernando Henrique Cardoso e suas privatizações quando foi presidente, principalmente a entrega da Vale do Rio Doce. Menosprezava os que faziam da política uma profissão e gostava de reler, ao telefone, as matérias de Paulo Nogueira Batista Jr.
Neste 8 de março, minha homenagem é para você. Saudade!
8 de Março e as empregadas domésticas
Por Altamiro Borges
Neste 8 de março, milhares de protestos ocorrem no planeta para comemorar o centenário do Dia Internacional da Mulher. Apesar das controvérsias históricas, a instituição desta homenagem foi aprovada na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em agosto de 1910, proposta pelas comunistas Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alessandra Kollontai. A partir de então, ela passou a ser celebrada em datas distintas em cada país. A greve das tecelãs de São Petersburgo, em 8 de março de 1917, no clima da revolução russa, acabou unificando a data da homenagem.
Neste ano, as manifestações reafirmarão as bandeiras históricas do movimento feminista, contra a exploração de classe e a opressão de gênero. Também denunciarão as guerras imperialistas. No Brasil, os protestos serão focados na defesa no Plano Nacional de Direitos Humanos, que previa o direito ao aborto e foi alvo de brutal campanha das forças direitistas. Também será denunciada a violência contra as mulheres. Apesar dos avanços da Lei Maria da Penha, nove mulheres foram assassinadas no ano passado após registrarem ameaças de violência sexual e doméstica.
Pela valorização do trabalho da mulher
Como afirma a convocatória do protesto unitário de São Paulo, “voltamos a ocupar as ruas para comemorar o já conquistado, mas também para mostrar que a luta por autonomia, igualdade e direitos segue atual... Bandeiras históricas, como a socialização do trabalho doméstico, salário igual para trabalho igual, combate à violência, creches para todas as crianças e direito ao aborto, continuam na ordem do dia do nosso movimento. Seguimos batalhando para mostrar, a cada 8 de março, o quanto nossa sociedade ainda precisa avançar em relação aos direitos das mulheres”.
Um dos eixos do protesto será a luta pela valorização do trabalho. “Ainda hoje é desconsiderado economicamente o trabalho na esfera privada, que ocorre nos lares. Em média, a mulher trabalha 16 horas por dia; a maior parte não remunerada, outra parte, sub-remunerada. Mesmo com maior escolaridade, ela recebe em média 71% do salário masculino... Na crise econômica, as mulheres foram as mais atingidas, pois estão inseridas da forma mais precária no mercado de trabalho, predominando em profissões como empregadas domésticas e operadoras de telemarketing”.
Jornada semanal de 59 horas
Recente pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese) reforça este eixo central da luta das mulheres. Ela aponta que a jornada de trabalho das empregadas domésticas com carteira assinada atingiu até 54 horas semanais em 2009. Para as trabalhadoras informais, a jornada semanal média chega a 59 horas. O estudo também aponta que o serviço doméstico é a atividade com pior remuneração no país. A empregada doméstica recebe, em média, metade do valor pago às trabalhadoras do setor de serviços.
Segundo Patrícia Costa, economista do Dieese, houve tímido avanço neste setor nos últimos sete anos. O trabalho se formalizou, o que tem ajudado a melhorar as condições da profissão. A maior escolaridade e a abertura de vagas no comércio e serviços também fizeram com que o emprego doméstico deixasse de ser a porta de entrada no mundo do trabalho para as mulheres jovens. De acordo com a pesquisa, mais de 77% das mulheres que exercem a atividade têm de 25 a 49 anos.
Mesmo assim, a situação das empregadas domésticas continua sendo uma das mais degradantes, o que reafirma a importância dos combativos protestos em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Na luta contra a exploração de classe e a opressão de gênero reside a força e atualidade do movimento feminista. Como já ensinou Karl Marx, “a libertação da mulher é a condição para a libertação de toda a humanidade”. Viva o 8 de Março!http://www.altamiroborges.blogspot.com/
sexta-feira, 5 de março de 2010
Argila e sementes de maracujá para um bronzeamento por igual, entre outras dicas naturais
Para evitar desidratação
Nesta quinta-feira, por volta das 20h30, o canal Futura apresentou uma boa dica para sabermos quando estamos desidratados.
Recebemos informações cotidianas: tomar água e sucos naturais, comer frutas, não ingerir bebidas alcoólicas e evitar frituras, principalmente no verão.
A praia, principalmente lotada e com o sol ardendo, fica evidente que a grande maioria não leva muito a sério. Além de levar um isopor com latinhas de cerveja e refrigerantes, um dos primeiros pedidos a ser feito: “uma porção de pastéis” ou outro tipo de fritura.
A dica do canal Futura: quando estamos suados é só dar uma lambida neste suor. Caso esteja salgado, o organismo precisa repor o sal. Então é só comermos alguma coisa salgada – bolacha, azeitona...
Esfoliação com argila ou semente de maracujá para um bronzeado uniforme
Argila
Um dia antes de tomarmos sol e uma vez por semana:
- molhe o corpo e em seguida aplique a argila em movimentos suaves pelo corpo todo e o rosto. Peça ajuda para alguém, se for necessário, para aplicar e massagear as costas.
- deixe agir por 30 minutos.
- retire com água morna.
Para um completo relaxamento, passe óleo de castanha-do-pará ou outro de sua preferência.
A argila limpa profundamente a pele e retira as células mortas.
Sementes de maracujá
Para evitar desperdício e aproveitar a fruta:
Dois maracujás batidos no liquidificador no modo “pulsar”. Isto é, coloque a polpa com as sementes, aperte o “pulsar” e solte rapidamente. As sementes estarão totalmente separadas da polpa. Coe e separe as sementes.
Com a polpa faça seu suco ou o doce de sua preferência.
Sementes:
- triture as sementes no liquidificador com meio copo de água mineral.
- com o corpo molhado, passe com as mãos e vá massageando suavemente pelo corpo e rosto.
- deixe agir por alguns minutos.
- em seguida, retire com água morna.
O sol para a saúde
O chamado sol frio – assim que nasce e antes que esquente – é o melhor tratamento natural da pele. Indígenas e nativos do Norte e Nordeste sabem disto.
É comum, assim que nasce o bebê, levar o mesmo para tomar alguns minutos (de 5 a 20 minutos) de sol, principalmente nos pés e nas mãos.
É muito difícil encontrar problemas de pele nestas regiões.
Os bronzeadores e protetores que mancham a pele
Praticamente em todos eles, em “modo de usar”, está escrito: passe 30 minutos antes da exposição solar.
Nesta quinta-feira, por volta das 20h30, o canal Futura apresentou uma boa dica para sabermos quando estamos desidratados.
Recebemos informações cotidianas: tomar água e sucos naturais, comer frutas, não ingerir bebidas alcoólicas e evitar frituras, principalmente no verão.
A praia, principalmente lotada e com o sol ardendo, fica evidente que a grande maioria não leva muito a sério. Além de levar um isopor com latinhas de cerveja e refrigerantes, um dos primeiros pedidos a ser feito: “uma porção de pastéis” ou outro tipo de fritura.
A dica do canal Futura: quando estamos suados é só dar uma lambida neste suor. Caso esteja salgado, o organismo precisa repor o sal. Então é só comermos alguma coisa salgada – bolacha, azeitona...
Esfoliação com argila ou semente de maracujá para um bronzeado uniforme
Argila
Um dia antes de tomarmos sol e uma vez por semana:
- molhe o corpo e em seguida aplique a argila em movimentos suaves pelo corpo todo e o rosto. Peça ajuda para alguém, se for necessário, para aplicar e massagear as costas.
- deixe agir por 30 minutos.
- retire com água morna.
Para um completo relaxamento, passe óleo de castanha-do-pará ou outro de sua preferência.
A argila limpa profundamente a pele e retira as células mortas.
Sementes de maracujá
Para evitar desperdício e aproveitar a fruta:
Dois maracujás batidos no liquidificador no modo “pulsar”. Isto é, coloque a polpa com as sementes, aperte o “pulsar” e solte rapidamente. As sementes estarão totalmente separadas da polpa. Coe e separe as sementes.
Com a polpa faça seu suco ou o doce de sua preferência.
Sementes:
- triture as sementes no liquidificador com meio copo de água mineral.
- com o corpo molhado, passe com as mãos e vá massageando suavemente pelo corpo e rosto.
- deixe agir por alguns minutos.
- em seguida, retire com água morna.
O sol para a saúde
O chamado sol frio – assim que nasce e antes que esquente – é o melhor tratamento natural da pele. Indígenas e nativos do Norte e Nordeste sabem disto.
É comum, assim que nasce o bebê, levar o mesmo para tomar alguns minutos (de 5 a 20 minutos) de sol, principalmente nos pés e nas mãos.
É muito difícil encontrar problemas de pele nestas regiões.
Os bronzeadores e protetores que mancham a pele
Praticamente em todos eles, em “modo de usar”, está escrito: passe 30 minutos antes da exposição solar.
terça-feira, 2 de março de 2010
Olhar Escrito – novo blog de Adriana Gragnani e Sérgio Mudado
Adriana Gragnani, do blog http://www.asgavetas.blogspot.com/, paulistana da gema, e Sérgio Mudado, mineiro de Belo Horizonte, estão com um novo blog na praça – http://www.olharescrito.blogspot.com/
Eles se conheceram em uma sala de bate-papo na internet, em 1998. Participaram como colaboradores da primeira revista literária produzida no espaço O Caixote http://www.ocaixote.com.br/ – um baú de ossos de “coisas já publicadas e sem nenhum critério editorial de escolha a não ser o afeto, a amizade, o tempo e os ossos do ofício”.
Abaixo um conto de Adriana para a revista O Caixote.
Um cataplar d´água
Tive notícias de que nas justas quatro horas e cincoenta e cinco minutos do dia de ontem, involuntariamente os olhos de Chico se abriram. Foi um sabiá na janela que piava a ida da noite. Era de conhecimento que Chico havia anunciado aos pássaros: piem, piem, mas não passem antes das cinco!
Nosso amigo levantou com vontade de dar murros ao vento, com vontade de cataplar na poça para fazer chuá.
Depois das passadas de pássaros, em miudezas de tempo, me disse, ouviu o galo, outro galo, e finalmente o cachorro Plá da sua vizinha, a Dona Aninha.
Dona Aninha é pessoa muito boa, mas devo confessar, de alguma estranhice também. Aprecia usar de minuciosas sílabas para apelidar tudo que vive na terra. Plá é o cachorro, a gata é Fli. Ela mesma já disse que não se chama Aninha, é só Nhá. E me chama de Nan! Chico, então! Chico é Bir, o Bir que sonha em cataplar poças d´água.
Bir, estranhado pelo canto por demasiado cedo, enfurecido já ia arremessar seu sapato pela janela. Todo genioso, ele, desde quando infantil ainda.
Me disse o Bir que recuou, covardou quando sentiu um aroma que chegava de manso pela janela. Sossegou o pito, torceu a vontade de esmurrar o vento e saiu, cataplando a poça d’água de fronte à sua casa, lá existente desde o penúltimo verão.
Ele disse ter ouvido: “É o Bir!!! É o Bir!!!”, vindo da casa de Dona Nhá, de onde vinha, também, o cheiro do café acabado de ser torrado.
Ele me contou que se sentiu esfumaçado e sem vontade. Não quis tomar o café. Sentou-se onde eu o encontrei às sete horas da noite. Bir estava sentado na cadeira embaixo da jabuticabeira.
Passou o dia inteiro apostando corrida com sementes da fruta. E me disse que cataplou muitas delas na poça d’água, podendo-se considerar um vencedor!
Foi assim que encontrei Bir.
“Que os raios de luar o iluminem e protejam. Se assim não for, quem por nós olhará?” Saudei-o assim para que me olhasse sem pasmo.
Fui embora pensando... mania de fazer chuá o Chico sempre teve.
Desde menino quando queria enfiar-se em rios e córregos.
Depois inventou de desenhar em muros da cidade usando sua parte mais pudenta. Os desenhos, assim bem ligeiros, desapareciam com o calor. Chico não devotava atenção e seguia, desimportado.
Adiantou na idade, avançou e na mocidade imaginou entrar na Marinha. Mas Ermelindo noticiou barbaridades de rigor e momentos medidos. Desistiu, mudou de direção.
Sossegou o facho quando conheceu Vandelana. Fazia recusa de conselhos, sempre afastado com a namorada. Só dizia que construíam barcos e que eram azuis, que tinham cores de água. A fábrica de barcos afundou com o fim do amor.
Mas a vocação de chuá continuou.
Ocasião houve, até, muito distante a ocorrência, que se ofereceu ao pároco para ajudar nos santos serviços. Durou pouco o ajutório. Durou até o dia que o encontraram a coletar água da chuva com a pia batismal. Foi um alvoroço! O povo se dividiu! Uns queriam a pia como fonte na praça do coreto, outros que voltasse ao buraco que restou aberto no chão da sacristia.
Para resolver o embate e trazer calma à cidade, organizou, Chico, um torneio de engolir botão de roupa sem beber água. Quem conseguisse engolir três botões de formato de pérola – aqueles que enfeitaram um dia o vestido de sua falecida mãe, Mélia, no seu casamento – escolheria o lugar da pia.
Chegado o dia, Chico não encontrou os botões. Estavam guardados numa meia de algodão, cinza, muito velha. Um rato deve ter comido a ponta por onde escapuliram. Emburrou, o Chico. Não marcou novo torneio. Birrento, birrento, birrento, gritava o povo, birrento, o Chico!
Magoou-se, então, com a multidão. Isso Dona Aninha conta. Foi ela convocada para ser juíza da competição. Daí nasceu o Bir, o Chico Bir que todos conhecem.
Mas esse gosto, a vontade de cataplatamento de poças d’água, que deixa Mané, seu mano, preocupado, ninguém sabe. De onde vem essa vontade? É de longe que ela vem?
Me aflito em pensar que Chico Bir possa perder a lua de rumo; ficar assim quase amuado como a vaca Ló quando seu último bezerro se foi em brejo para nunca mais voltar.
Conheço desde tempos o Bir, e para mim sempre foi mesmo diferente. Na passada da última lua cheia, todo o céu bem varrido – só de luz que ficou o firmamento! – fomos remar no rio. Chico pôs o pé no bote e avisou que iria dormir, não queria ver os bichos na margem, prontos a comer a água e tudo o mais que nela navegasse. Bobo, ele! Não eram bichos, era a mata brilhosa com o brilho roubado da lua, enfeitando seus galhos e ramagens com a pintura do luar.
Naquele balouço gostoso das águas, de pôr em manso os sentimentos, Chico acordou agitado, dizendo estar com um desconforto que se pregou na cachola, afastando os sonhos. Queria estar na terra, com os pés bem sentidos no chão, de deixar marcas de dedo e calcanhar. Não se atentou para as horas, nem se preocupou com a surucucu dourada. Chico Bir pulou no rio, aparecendo, tempos depois, todo despenteado, agarrado na última nogueira, acenando para mim, com jeito de deboche, Fiquei só no barco, deixei ir pela corrente. Mas quando cheguei no porto, Bir tava já sentado à minha espera.
Me deu um beijo que até foi bom. Os lábios ficaram quentes, incandesceram. Até gostei e queria mais... Mas qual! Virou as costas e se embrenhou no mato.
Só o encontrei duas semanas depois.
Chorava, como muitos, a partida de Lori e toda a turma do circo que comandava. Bir sussurrou para mim: “Eu queria ficar com o circo! Bem lá no picadeiro, olhando para cima, me zonzeando com os gomos da lona”. E depois, me sussurrou: “São doces as ancas da Lori! Eu queria tanto cataplar poças d’água, Nan, ai... como queria!”
Mané, o mano, me disse que choramingo assim só tinha visto quando Chico brigou com Vandelana.
Aí eu chorei, de fazer fungar nariz. Por que o Chico Bir não ia? Porque não. Porque ele só queria fraco, não era forte sua vontade. Também não sabia se era isso, pois o não entendimento era meu. Mas se me desse de ser um pássaro, eu entraria pela janela de Chico Bir, sem pio, sem vento, para pousar meu olhar no seu dormir. Quem sabe um entreaberto de olho, de sono pouco calmo, me revelasse sua alma, me desse o caminho de saber sua vontade de cataplar poças d’água?
Fiquei acabrunhada, por dias, com a tristeza do Chico. Comecei a passear pela cidade, sem querer prosa, folguedo, algazarra de criança... Nem pegar manga me atrevia.
Dona Aninha bem que viu os meus internos sentimentos. Num dia, sentada na cadeira que botava na calçada todas as tardes, me chamou. Estava ela com aquele chapéu de abas largas que encobria um pouco seus olhos, fazendo a imaginação acreditar em mistérios de vida. A bem dizer, era a mais antiga moradora da cidade, a madrinha de gentes e gentes.
“Dona Nhá, sempre firme?”
“Firme, como, Nan? Firme é a árvore que balança no vento e continua em pé. Eu já me sento todas as tardes, minhas pernas descansam dobradas.”
Dona Aninha foi logo dizendo, assim diretamente e sem remendos de caminho, que me achava bastante crescida, me achava uma mulher em ponto de fazer mais que dar beijo corrido. Não entendia, ela, porque não juntava eu o corpo com alguém, tão bom era!
Desconsertei com o jeito do assunto, eu que sempre via a Dona Aninha como anja, sei lá, quase uma estátua de formatação toda completa, como sem andanças novas de idéia, só fazendo o nhenhenhem daquela parte da vida que eu conseguia enxergar, o café, o pão, a reza.
“Dona Aninha, só junto o corpo quando eu amar alguém”, respondi, breve e seca.
“Ora, Nan, vá cataplar poças d’água com o Bir!”
Fiquei de graça escorregada; com cara de ora-veja. Aquilo era conselho de Dona Aninha ou estaria ela rindo de minha querença, de meu sonho? Ah... se Dona Aninha soubesse que tudo que queria naquele instante era saber do cataplatamento de Chico Bir!
“Dona Aninha, sei lá o que seja isso, minhas idéias se perdem no destino do descobrimento.”
“Nan, corra as águas, todas as águas de sua atenção.”
Saí mais abatida... Quais as águas que conheço? As da chuva, do rio, da lágrima, as do poço, da cisterna... Ia andando pensativa e nem vi o Chico Bir na minha frente.
“Ô Nan! Cuidado! Assim você me derruba. Se caio, levo você junto ao chão.”
“Sabe Bir, troquei uns leros com a Dona Aninha. Ela me disse uma coisa que descompreendi, tão sábia ela é e me deixou sem precisão de certeza. Me palavreie umas idéias...”
“Você sabe que desconverso, Nan. Tenho teima em não falar muito.”
“Bir, por que Vandelana sumiu?”
“Nan, conversa mole, a sua.”
“Diga para mim, diga!”
“Ela não queira ver as águas. Me ajudava nos barcos, mas nem um túnel conheci, ela não deixou.”
Pensei comigo que a conversa seria mesmo difícil. Barcos andam sobre as águas, se deixam ver e se guiam pelo visto, de farol, farolete, posição de estrela no céu, por que andar de túnel?
“Bir, não entendi.”
“Deixa pra lá, Nan.”
“Chico, por que você não foi com a Lori?”
“Não interessa!”
“Chico, você me aprecia um tico?”
“Nan, você está como caracol! Toda de cautela e duvidenta!”
“Bir, me vou.”
Andei pra longe, me queria sozinha. Me encontrei na velha nogueira, deitei no chão e finquei as vistas no céu. Ele estava azul clarinho! Parecia o manto pintado da minha Santinha, Ave Maria. Será que ela nunca juntou corpo com alguém? Me dá uma quentura quando penso nisso! Vai descendo descontrolada até estourar no entremeio das pernas. E se passo as mãos no seio, piora tudo, então! Parecia que tava com bicho-de-pé na cachola e alguém... foi Dona Aninha! Foi Dona Aninha que roçou minha cachola! Fui ficando lá mansinha, dormente. Me marolando com a esquisitice da Dona Aninha, deixando o ouvido aberto para o som do rio, sossegando o corpo com a proteção da árvore.
“Nan! Acorda Nan!”
Levei um susto, o céu vermelhara já e Chico Bir me sacudia!
“Ô Bir, adormeci, nem reparei.”
“Nan, me ponho no chão com você, não se levante.”
Eu fiquei, fiquei olhando Bir deitar, olhar para o céu e dizer:
“Esses pássaros passam quando querem.”
“Bir, parece que não gosta de pássaro!”
“Nada, Nan. Gosto, sim. Fico até de alegre quando eles beijam a água para perder a sede.”
“Ah... cataplar sementes na água, pássaro beijar água, não entendo Bir, suas vontades.”
“Nan, é uma querença tão aguda de penetrar pelos túneis, de experimentar líquidos e derramar outros. Cataplafo em poças, mas é simples desejo do corpo que se esvai pelos pés. Me resto não-pleno, sinto até raiva.”
“Você já cataplou um túnel?”
“Tentei, fugiu de mim a vontade, porque só minha ela era.”
“Bir, você é tão mistérios... fico até quebrantada!”
“Nan, você me põe em tempo de querer.”
“Querer... Bir! Como seria bom!”
Bir veio para mim cantarolando – mar de águas, suas águas encobertas pela anágua, mar de águas, nossas águas catapladas em poças d’água...
Fui achando gostoso o canto e me abrindo, minha boca, meus entremeios, minhas pernas, profundos túneis de águas sem fim, quentes fios de rio, porejando pelos corpos... Nem pensava em nada, só de água me sentia.
Beijou-me Bir meus líquidos, minhas águas, explorou todos meus túneis, que nem eu mesma conhecia. Beijei-lhe todo, conheci-lhe suas poças, suas dobras; nem tempo corria ali, nem quando por lá um sabiá parou, bicou de umas aguinhas, piou, se despedindo, já que era chegado o tempo da noite.
Eles se conheceram em uma sala de bate-papo na internet, em 1998. Participaram como colaboradores da primeira revista literária produzida no espaço O Caixote http://www.ocaixote.com.br/ – um baú de ossos de “coisas já publicadas e sem nenhum critério editorial de escolha a não ser o afeto, a amizade, o tempo e os ossos do ofício”.
Abaixo um conto de Adriana para a revista O Caixote.
Um cataplar d´água
Tive notícias de que nas justas quatro horas e cincoenta e cinco minutos do dia de ontem, involuntariamente os olhos de Chico se abriram. Foi um sabiá na janela que piava a ida da noite. Era de conhecimento que Chico havia anunciado aos pássaros: piem, piem, mas não passem antes das cinco!
Nosso amigo levantou com vontade de dar murros ao vento, com vontade de cataplar na poça para fazer chuá.
Depois das passadas de pássaros, em miudezas de tempo, me disse, ouviu o galo, outro galo, e finalmente o cachorro Plá da sua vizinha, a Dona Aninha.
Dona Aninha é pessoa muito boa, mas devo confessar, de alguma estranhice também. Aprecia usar de minuciosas sílabas para apelidar tudo que vive na terra. Plá é o cachorro, a gata é Fli. Ela mesma já disse que não se chama Aninha, é só Nhá. E me chama de Nan! Chico, então! Chico é Bir, o Bir que sonha em cataplar poças d´água.
Bir, estranhado pelo canto por demasiado cedo, enfurecido já ia arremessar seu sapato pela janela. Todo genioso, ele, desde quando infantil ainda.
Me disse o Bir que recuou, covardou quando sentiu um aroma que chegava de manso pela janela. Sossegou o pito, torceu a vontade de esmurrar o vento e saiu, cataplando a poça d’água de fronte à sua casa, lá existente desde o penúltimo verão.
Ele disse ter ouvido: “É o Bir!!! É o Bir!!!”, vindo da casa de Dona Nhá, de onde vinha, também, o cheiro do café acabado de ser torrado.
Ele me contou que se sentiu esfumaçado e sem vontade. Não quis tomar o café. Sentou-se onde eu o encontrei às sete horas da noite. Bir estava sentado na cadeira embaixo da jabuticabeira.
Passou o dia inteiro apostando corrida com sementes da fruta. E me disse que cataplou muitas delas na poça d’água, podendo-se considerar um vencedor!
Foi assim que encontrei Bir.
“Que os raios de luar o iluminem e protejam. Se assim não for, quem por nós olhará?” Saudei-o assim para que me olhasse sem pasmo.
Fui embora pensando... mania de fazer chuá o Chico sempre teve.
Desde menino quando queria enfiar-se em rios e córregos.
Depois inventou de desenhar em muros da cidade usando sua parte mais pudenta. Os desenhos, assim bem ligeiros, desapareciam com o calor. Chico não devotava atenção e seguia, desimportado.
Adiantou na idade, avançou e na mocidade imaginou entrar na Marinha. Mas Ermelindo noticiou barbaridades de rigor e momentos medidos. Desistiu, mudou de direção.
Sossegou o facho quando conheceu Vandelana. Fazia recusa de conselhos, sempre afastado com a namorada. Só dizia que construíam barcos e que eram azuis, que tinham cores de água. A fábrica de barcos afundou com o fim do amor.
Mas a vocação de chuá continuou.
Ocasião houve, até, muito distante a ocorrência, que se ofereceu ao pároco para ajudar nos santos serviços. Durou pouco o ajutório. Durou até o dia que o encontraram a coletar água da chuva com a pia batismal. Foi um alvoroço! O povo se dividiu! Uns queriam a pia como fonte na praça do coreto, outros que voltasse ao buraco que restou aberto no chão da sacristia.
Para resolver o embate e trazer calma à cidade, organizou, Chico, um torneio de engolir botão de roupa sem beber água. Quem conseguisse engolir três botões de formato de pérola – aqueles que enfeitaram um dia o vestido de sua falecida mãe, Mélia, no seu casamento – escolheria o lugar da pia.
Chegado o dia, Chico não encontrou os botões. Estavam guardados numa meia de algodão, cinza, muito velha. Um rato deve ter comido a ponta por onde escapuliram. Emburrou, o Chico. Não marcou novo torneio. Birrento, birrento, birrento, gritava o povo, birrento, o Chico!
Magoou-se, então, com a multidão. Isso Dona Aninha conta. Foi ela convocada para ser juíza da competição. Daí nasceu o Bir, o Chico Bir que todos conhecem.
Mas esse gosto, a vontade de cataplatamento de poças d’água, que deixa Mané, seu mano, preocupado, ninguém sabe. De onde vem essa vontade? É de longe que ela vem?
Me aflito em pensar que Chico Bir possa perder a lua de rumo; ficar assim quase amuado como a vaca Ló quando seu último bezerro se foi em brejo para nunca mais voltar.
Conheço desde tempos o Bir, e para mim sempre foi mesmo diferente. Na passada da última lua cheia, todo o céu bem varrido – só de luz que ficou o firmamento! – fomos remar no rio. Chico pôs o pé no bote e avisou que iria dormir, não queria ver os bichos na margem, prontos a comer a água e tudo o mais que nela navegasse. Bobo, ele! Não eram bichos, era a mata brilhosa com o brilho roubado da lua, enfeitando seus galhos e ramagens com a pintura do luar.
Naquele balouço gostoso das águas, de pôr em manso os sentimentos, Chico acordou agitado, dizendo estar com um desconforto que se pregou na cachola, afastando os sonhos. Queria estar na terra, com os pés bem sentidos no chão, de deixar marcas de dedo e calcanhar. Não se atentou para as horas, nem se preocupou com a surucucu dourada. Chico Bir pulou no rio, aparecendo, tempos depois, todo despenteado, agarrado na última nogueira, acenando para mim, com jeito de deboche, Fiquei só no barco, deixei ir pela corrente. Mas quando cheguei no porto, Bir tava já sentado à minha espera.
Me deu um beijo que até foi bom. Os lábios ficaram quentes, incandesceram. Até gostei e queria mais... Mas qual! Virou as costas e se embrenhou no mato.
Só o encontrei duas semanas depois.
Chorava, como muitos, a partida de Lori e toda a turma do circo que comandava. Bir sussurrou para mim: “Eu queria ficar com o circo! Bem lá no picadeiro, olhando para cima, me zonzeando com os gomos da lona”. E depois, me sussurrou: “São doces as ancas da Lori! Eu queria tanto cataplar poças d’água, Nan, ai... como queria!”
Mané, o mano, me disse que choramingo assim só tinha visto quando Chico brigou com Vandelana.
Aí eu chorei, de fazer fungar nariz. Por que o Chico Bir não ia? Porque não. Porque ele só queria fraco, não era forte sua vontade. Também não sabia se era isso, pois o não entendimento era meu. Mas se me desse de ser um pássaro, eu entraria pela janela de Chico Bir, sem pio, sem vento, para pousar meu olhar no seu dormir. Quem sabe um entreaberto de olho, de sono pouco calmo, me revelasse sua alma, me desse o caminho de saber sua vontade de cataplar poças d’água?
Fiquei acabrunhada, por dias, com a tristeza do Chico. Comecei a passear pela cidade, sem querer prosa, folguedo, algazarra de criança... Nem pegar manga me atrevia.
Dona Aninha bem que viu os meus internos sentimentos. Num dia, sentada na cadeira que botava na calçada todas as tardes, me chamou. Estava ela com aquele chapéu de abas largas que encobria um pouco seus olhos, fazendo a imaginação acreditar em mistérios de vida. A bem dizer, era a mais antiga moradora da cidade, a madrinha de gentes e gentes.
“Dona Nhá, sempre firme?”
“Firme, como, Nan? Firme é a árvore que balança no vento e continua em pé. Eu já me sento todas as tardes, minhas pernas descansam dobradas.”
Dona Aninha foi logo dizendo, assim diretamente e sem remendos de caminho, que me achava bastante crescida, me achava uma mulher em ponto de fazer mais que dar beijo corrido. Não entendia, ela, porque não juntava eu o corpo com alguém, tão bom era!
Desconsertei com o jeito do assunto, eu que sempre via a Dona Aninha como anja, sei lá, quase uma estátua de formatação toda completa, como sem andanças novas de idéia, só fazendo o nhenhenhem daquela parte da vida que eu conseguia enxergar, o café, o pão, a reza.
“Dona Aninha, só junto o corpo quando eu amar alguém”, respondi, breve e seca.
“Ora, Nan, vá cataplar poças d’água com o Bir!”
Fiquei de graça escorregada; com cara de ora-veja. Aquilo era conselho de Dona Aninha ou estaria ela rindo de minha querença, de meu sonho? Ah... se Dona Aninha soubesse que tudo que queria naquele instante era saber do cataplatamento de Chico Bir!
“Dona Aninha, sei lá o que seja isso, minhas idéias se perdem no destino do descobrimento.”
“Nan, corra as águas, todas as águas de sua atenção.”
Saí mais abatida... Quais as águas que conheço? As da chuva, do rio, da lágrima, as do poço, da cisterna... Ia andando pensativa e nem vi o Chico Bir na minha frente.
“Ô Nan! Cuidado! Assim você me derruba. Se caio, levo você junto ao chão.”
“Sabe Bir, troquei uns leros com a Dona Aninha. Ela me disse uma coisa que descompreendi, tão sábia ela é e me deixou sem precisão de certeza. Me palavreie umas idéias...”
“Você sabe que desconverso, Nan. Tenho teima em não falar muito.”
“Bir, por que Vandelana sumiu?”
“Nan, conversa mole, a sua.”
“Diga para mim, diga!”
“Ela não queira ver as águas. Me ajudava nos barcos, mas nem um túnel conheci, ela não deixou.”
Pensei comigo que a conversa seria mesmo difícil. Barcos andam sobre as águas, se deixam ver e se guiam pelo visto, de farol, farolete, posição de estrela no céu, por que andar de túnel?
“Bir, não entendi.”
“Deixa pra lá, Nan.”
“Chico, por que você não foi com a Lori?”
“Não interessa!”
“Chico, você me aprecia um tico?”
“Nan, você está como caracol! Toda de cautela e duvidenta!”
“Bir, me vou.”
Andei pra longe, me queria sozinha. Me encontrei na velha nogueira, deitei no chão e finquei as vistas no céu. Ele estava azul clarinho! Parecia o manto pintado da minha Santinha, Ave Maria. Será que ela nunca juntou corpo com alguém? Me dá uma quentura quando penso nisso! Vai descendo descontrolada até estourar no entremeio das pernas. E se passo as mãos no seio, piora tudo, então! Parecia que tava com bicho-de-pé na cachola e alguém... foi Dona Aninha! Foi Dona Aninha que roçou minha cachola! Fui ficando lá mansinha, dormente. Me marolando com a esquisitice da Dona Aninha, deixando o ouvido aberto para o som do rio, sossegando o corpo com a proteção da árvore.
“Nan! Acorda Nan!”
Levei um susto, o céu vermelhara já e Chico Bir me sacudia!
“Ô Bir, adormeci, nem reparei.”
“Nan, me ponho no chão com você, não se levante.”
Eu fiquei, fiquei olhando Bir deitar, olhar para o céu e dizer:
“Esses pássaros passam quando querem.”
“Bir, parece que não gosta de pássaro!”
“Nada, Nan. Gosto, sim. Fico até de alegre quando eles beijam a água para perder a sede.”
“Ah... cataplar sementes na água, pássaro beijar água, não entendo Bir, suas vontades.”
“Nan, é uma querença tão aguda de penetrar pelos túneis, de experimentar líquidos e derramar outros. Cataplafo em poças, mas é simples desejo do corpo que se esvai pelos pés. Me resto não-pleno, sinto até raiva.”
“Você já cataplou um túnel?”
“Tentei, fugiu de mim a vontade, porque só minha ela era.”
“Bir, você é tão mistérios... fico até quebrantada!”
“Nan, você me põe em tempo de querer.”
“Querer... Bir! Como seria bom!”
Bir veio para mim cantarolando – mar de águas, suas águas encobertas pela anágua, mar de águas, nossas águas catapladas em poças d’água...
Fui achando gostoso o canto e me abrindo, minha boca, meus entremeios, minhas pernas, profundos túneis de águas sem fim, quentes fios de rio, porejando pelos corpos... Nem pensava em nada, só de água me sentia.
Beijou-me Bir meus líquidos, minhas águas, explorou todos meus túneis, que nem eu mesma conhecia. Beijei-lhe todo, conheci-lhe suas poças, suas dobras; nem tempo corria ali, nem quando por lá um sabiá parou, bicou de umas aguinhas, piou, se despedindo, já que era chegado o tempo da noite.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Entrevista(s) com Nina Rosa e a Feira da Terra
Nina Rosa, presidente da ONG Instituto Nina Rosa, explica sobre o Kit Fulaninho, material sobre conscientização da posse responsável criado pela ONG.
Assista a entrevista com a ativista Nina Rosa Jacob e o médico nutrólogo Eric Slywitch, falando sobre o vegetarianismo, no programa “Deus médico dos médicos”, que vai ao ar na RedeTV, Domingo (28/02), às 12h.
Um ótimo bate papo na hora do almoço, esclarecedor para aqueles que ainda não experimentaram a culinária sem crueldade, e para aqueles que ja se alimentam dela. Feira da Terra
1. Introdução:
A Feira da Terra tem como um dos seus propósitos principais, reunir semanalmente os moradores, visitantes e produtores locais, criando um espaço de troca de artes, ensinamentos e sabedorias tradicionais e contemporâneos, além de incentivar a produção e consumo de alimentos orgânicos e agroecológicos (mais ricos em nutrientes e sem agrotóxicos) e a valorização do artesanato local.
A parceria entre produtores e consumidores é fundamental para a valorização do consumo de alimentos saudáveis, a preservação do meio ambiente e o fortalecimento da agricultura familiar, que é a maior responsável pela produção de alimentos no Brasil.
O resgate e a valorização dos saberes tradicionais populares, expressos na produção artesanal (especialmente da população rural), além de promover a preservação e a continuidade dessas práticas, eleva a auto-estima e reforça a identidade local.
2. Proposta:
Realizar a feira semanalmente, com barracas para os produtos:
• Orgânicos e agroecológicos – frutas, legumes, hortaliças e produtos caseiros (pães, geléias, compotas, leite e derivados etc.
• Artesanatos ecológicos de produção local – taboa, bambu, palha de milho, patchwork, cerâmica etc
Atividades eventuais:
• Cursos e oficinas sobre sistemas orgânicos de produção ecológica (permacultura), alimentação natural etc;
• Feirinha de trocas e oficinas eco-pedagógicas para as crianças;
• Tenda da Cura com práticas terapêuticas tradicionais e contemporâneas;
• Exibição de filmes e documentários sobre Ecologia e Meio Ambiente;
• Apresentação de grupos de teatro, música e danças regionais.
Contatos com Sandra Mara Ortegosa (sandraortegosa@yahoo.com.br) e Tiaya Sengers Godoy (tiayataruni@mail.com) – fones: (22) 2542-6117 (Tiaya) e (11) 9173-6248 (Sandra)
Saiba tudo sobre o evento em: http://www.syntonia.com/
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Bazar Veg e Palestras
Dia 28 de Fevereiro, das 11 às 17h, em São Paulo Ja estão confirmados para o Bazar Veg: Ativeg, Ativismo.com, Naa, Blousnii, Reh, Veddas, Siunka, Forever, Instituto Nina Rosa, Cão sem Dono, Surya Brasil e Palestra com a Tamara (ativista, biologa e voluntária do Instituto Nina Rosa) sobre Libertação Animal.
O primeiro evento organizado pelo Guia Veg, em um ambiente muito acolhedor, será no restaurante Anna Prem que fica em frente ao Parque da Aclimação o lugar é perfeito para um encontro de veg's!
Ágar-ágar e receitas veganas
Ágar-ágar – é gelatina vegetal
É uma gelatina de origem vegetal, extraída das algas vermelhas. Sua composição nutricional difere completamente da composição da gelatina de origem animal.
A gelatina de ágar-ágar não precisa ser levada ao refrigerador para endurecer, ela endurece normalmente com o resfriamento à temperatura ambiente. Possui sabor neutro, portanto, pode-se adicionar qualquer outro ingrediente para dar sabor.
Vende-se ágar-ágar em fios semelhantes a macarrão, em barras compridas, mas é comumente comercializada em pó e sua cor geralmente é esbranquiçada.
A diluição é de meio litro de líquido para 4g de ágar-ágar.
Gelatina
A gelatina é muito utilizada na preparação de doces caseiros, mouses salgados e também na indústria como sobremesas, iogurtes, etc. É elaborada a partir da fervura de ossos, peles e tendões de animais. Fique atento nos rótulos dos produtos.
Matéria completa em: http://www.bemtefiz.com.br/ecologia/Substitua_gelatina_por_agar_agar/100
O sítio http://www.bemtefiz.com.br/ tem receitas de produtos de limpeza e cosméticos caseiros, casa ecológica, reciclagem, hortas e plantações, entre outras dicas.
Receitas veganas
Tem centenas de receitas veganas (e também vegetarianas) em ordem alfabética; como substituir carne, ovos, manteiga, leite e queijo em sua alimentação; além de dicas para crianças vegetarianas. http://www.eurooscar.com/Receitas-Vegetarianas/vegetarianismo.htm
É uma gelatina de origem vegetal, extraída das algas vermelhas. Sua composição nutricional difere completamente da composição da gelatina de origem animal.
A gelatina de ágar-ágar não precisa ser levada ao refrigerador para endurecer, ela endurece normalmente com o resfriamento à temperatura ambiente. Possui sabor neutro, portanto, pode-se adicionar qualquer outro ingrediente para dar sabor.
Vende-se ágar-ágar em fios semelhantes a macarrão, em barras compridas, mas é comumente comercializada em pó e sua cor geralmente é esbranquiçada.
A diluição é de meio litro de líquido para 4g de ágar-ágar.
Gelatina
A gelatina é muito utilizada na preparação de doces caseiros, mouses salgados e também na indústria como sobremesas, iogurtes, etc. É elaborada a partir da fervura de ossos, peles e tendões de animais. Fique atento nos rótulos dos produtos.
Matéria completa em: http://www.bemtefiz.com.br/ecologia/Substitua_gelatina_por_agar_agar/100
O sítio http://www.bemtefiz.com.br/ tem receitas de produtos de limpeza e cosméticos caseiros, casa ecológica, reciclagem, hortas e plantações, entre outras dicas.
Receitas veganas
Tem centenas de receitas veganas (e também vegetarianas) em ordem alfabética; como substituir carne, ovos, manteiga, leite e queijo em sua alimentação; além de dicas para crianças vegetarianas. http://www.eurooscar.com/Receitas-Vegetarianas/vegetarianismo.htm
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Jogos educativos, livros e acessórios de pano
O Movimento de Mulheres do Jardim Comercial e Adjacências é uma associação situada no Jardim Comercial, zona sul de São Paulo e tem como preocupação requalificar, através de cursos, mulheres da comunidade com baixo poder aquisitivo para o mercado de trabalho.
Outras ações são desenvolvidas para colaborar com a melhoria da qualidade de vida das famílias locais. Além dos cursos, elas desenvolvem e vendem vários produtos em tecido como livros, colchas de retalhos, acessórios e jogos educativos.
Pontos de vendas:
Shopping Alameda Center – Alameda Santos, 1347, Jd. Paulista. Segunda a sexta, das 10h às 20h; sábado das 9h às 17h. Tel. (11) 3171-3218.
Shopping Porto Paulista – Rua Augusta, 1600, segundo piso, quiosque 233. Segunda a sábado, das 10h às 21h; domingo das 14h às 20h.
Sede da entidade: Rua Macinhata do Vouga, 205, Jd. Comercial, São Paulo-SP. Tel. (11) 5823-1641. http://www.movimentodemulheres.org.br/
Outras ações são desenvolvidas para colaborar com a melhoria da qualidade de vida das famílias locais. Além dos cursos, elas desenvolvem e vendem vários produtos em tecido como livros, colchas de retalhos, acessórios e jogos educativos.
Pontos de vendas:
Shopping Alameda Center – Alameda Santos, 1347, Jd. Paulista. Segunda a sexta, das 10h às 20h; sábado das 9h às 17h. Tel. (11) 3171-3218.
Shopping Porto Paulista – Rua Augusta, 1600, segundo piso, quiosque 233. Segunda a sábado, das 10h às 21h; domingo das 14h às 20h.
Sede da entidade: Rua Macinhata do Vouga, 205, Jd. Comercial, São Paulo-SP. Tel. (11) 5823-1641. http://www.movimentodemulheres.org.br/
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Reunião de estudo e piquenique vegano na Unicamp
"Olá! Já está tudo pronto para a nossa primeira reunião do grupo de estudos. Neste encontro vamos conhecer de forma introdutória os trabalhos de alguns dos principais personagens do movimento de libertação animal: os filósofos de direitos animais Tom Regan, Bernard Rollin, Gary Francione, e o filósofo utilitarista Peter Singer.
O estudo será no teatro de arena da Praça da Paz. Se chover vamos fazer no vão do PB (Prédio Ciclo Básico II). Após a reunião teremos um piquenique vegano! Sinta-se à vontade para trazer seu prato ou bebida. O estudo é gratuito e aberto a todos, humanos e não-humanos ;-"
O estudo será no teatro de arena da Praça da Paz. Se chover vamos fazer no vão do PB (Prédio Ciclo Básico II). Após a reunião teremos um piquenique vegano! Sinta-se à vontade para trazer seu prato ou bebida. O estudo é gratuito e aberto a todos, humanos e não-humanos ;-"
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Nelson Mandela: 20 anos de libertação
Após ficar encarcerado durante 27 anos anos, Nelson Mandela é libertado em 11 de fevereiro de 1990.
Invictus
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por miinha alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
Autor: William Ernest Henley
Tradutor: André C S Masini
Invictus
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por miinha alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
Autor: William Ernest Henley
Tradutor: André C S Masini
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Enchente e dengue: começou no Rio de Janeiro e estendeu em São Paulo – região e o estado. Este “trem ultrapassado” ainda quer ser presidente?
Cerqueira César: Enchentes em SP refletem falta de governo
Júlio Cerqueira César Neto: “São Pedro e o lixo jogado na rua não foram os responsáveis pelas enchentes de 8 de setembro e 8 de dezembro em São Paulo”
por Conceição Lemes
Filho feio não tem pai. Já se o rebento tem pedigree, sobram candidatos.
O governador de São Paulo, José Serra, é hors concours na área. Assume como dele a criação do Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, considerado um exemplo no mundo. Só que os verdadeiros criadores são a doutora Lair Guerra de Macedo Rodrigues e o professor Adib Jatene.
“Serra, pai dos genéricos? PSDB, criador dos genéricos? Assumir como deles é um embuste!”, disse em junho ao Viomundo, o médico Jamil Haddad, falecido na semana passada, aos 83 anos. Ex- deputado federal, ex-prefeito do Rio Janeiro e ministro da Saúde de outubro de 1992 a agosto de1993, Jamil Haddad é o verdadeiro pai dos genéricos do Brasil.
Em compensação, Serra nunca é pai de perebentos. Inexoravelmente culpa os outros. Tanto que terceirizou a paternidade das inundações em São Paulo. Além do desplante de dizer que o noticiário negativo era obra do que chamou de PT Press, o governador afirmou que problema da enchente foi a enorme, anormal, atípica chuva.
Para colocar os pingos nos is, o Viomundo entrevistou o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto. Durante 30 anos – está com 80 – foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica/USP. É considerado um dos grandes especialistas do Brasil nessa área.
Viomundo – Nos últimos dois meses, São Paulo submergiu duas vezes. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador José Serra (PSDB) culparam principalmente a “quantidade anormal de chuvas no período” e “ lixo jogado na rua pela população”. São Pedro e o povo são os responsáveis por essas duas inundações históricas?
Júlio Cerqueira César Neto – Não. Querendo dourar a pílula, as autoridades lançaram mão de vários parâmetros para confundir a opinião pública. Esses fatores realmente existem. Porém, São Pedro e a educação sanitária não são os causadores das enchentes de 8 de setembro e 8 dezembro.
Viomundo – São Pedro não teve mesmo culpa no cartório?
Júlio Cerqueira César Neto – Nas duas inundações deste ano, São Pedro está completamente isento. As duas chuvas [8 de setembro e 8 dezembro] não foram catastróficas, elas foram moderadas. Aliás, sempre que acontece uma enchente dessas, o prefeito, o governador, os secretários aparecem dizendo que São Pedro foi o responsável. Nada deixa a população mais irritada do que essa desculpa esfarrapada.
Viomundo – E o lixo jogado na rua?
Júlio Cerqueira César Neto – Prejudica um pouco, mas não é o principal. É só um fator colocado no debate pelas autoridades para confundir a opinião pública, e esconder os verdadeiros responsáveis.
Viomundo – Então quais as causas principais dessas enchentes?
Júlio Cerqueira César Neto – Uma delas, o assoreamento do Tietê. Assoreamento é o material sólido que vem na corrente líquida do rio: terra, erosão, lixo, entulho de obra. Na cidade de São Paulo, a declividade do Tietê é muito pequena e a velocidade, muito baixa. É como se o rio estivesse quase parado. Todo material sólido deposita-se, então, no fundo do canal, reduzindo a profundidade. Consequentemente, diminui também a capacidade de transporte de água na hora da chuva. É o que acontece com o Tietê. Em vez de ter espaço para passar, por exemplo, 1.000 metros cúbicos por segundo, só “cabem” 500. Os outros 500 transbordam.
Viomundo – Isso acontece também com os afluentes do Tietê?
Júlio Cerqueira César Neto – Pelo contrário. Eles têm declividade forte e velocidade grande de água e não assoreiam. Consequentemente, das cabeceiras até chegar ao Tietê, eles têm facilidade de transporte de material sólido. E como o Tietê tem velocidade muito baixa, esse material se deposita no canal do próprio Tietê.
Viomundo – Sempre foi assim?
Júlio Cerqueira César Neto – O Tietê sempre teve velocidade baixa. Não dá para modificar isso. É a conformação geológica e topográfica do rio.
Viomundo – Anualmente quanto de resíduos o Tietê recebe?
Júlio Cerqueira César Neto – Na cidade de São Paulo, entre a barragem da Penha [Zona Leste] e o Cebolão [Zona Oeste], aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de terra. Se você deixar isso no fundo do rio, a capacidade dele diminui. E o que o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o DAEE do governo do Estado de São Paulo, tem feito? O DAEE faz a limpeza, mas tira apenas 400 mil metros cúbicos por ano.
Viomundo – O DAEE tira só um terço.
Júlio Cerqueira César Neto – Deixa, portanto, anualmente uma quantidade muito grande de sedimentos no Tietê, diminuindo capacidade de ele transportar as vazões de enchentes. No dia 8 de setembro, às 16h30m, no Viaduto da Casa Verde, um engenheiro mediu a quantidade de água que passava no rio. Deu 735 metros cúbicos por segundo. Ali, naquele trecho, se o canal do Tietê estivesse limpo, poderia passar mais de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se o Tietê já transbordou com 735 metros cúbicos é porque estava assoreado.
Viomundo – Se o Tietê não estivesse assoreado, a inundação de setembro não teria havido?
Júlio Cerqueira César Neto – A inundação aconteceu porque o Tietê estava com mais da metade da sua capacidade obstruída por resíduos depositados no fundo do seu canal e que não foram limpos adequadamente pelo governo do estado.
Viomundo – E no dia 8 dezembro?
Júlio Cerqueira César Neto – Nenhum engenheiro foi lá medir. Mas pelas consequências a coisa foi muito semelhante à de 8 de setembro. Se a vazão não foi 735 metros cúbicos por segundo, foi de 835, 800, ou algo parecido. Se não houvesse assoreamento, a cidade não teria inundado. Houve inundação, porque o Tietê estava ainda mais assoreado do que em setembro. As causas que levam às enchentes são principalmente o assoreamento e a má limpeza do rio.
Viomundo – Ou seja, tem de se varrer todo dia o lixo da “casa”(rio). Se acumular, com o tempo a gente não passa mais...
Júlio Cerqueira César Neto — Você tem um rio que deveria ter capacidade de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se ele está sujo, a capacidade dele fica reduzida para 500, por exemplo. Assim, se a quantidade de água devido à chuva for de 700 metros cúbicos por segundo, ele extravasa. Não tem jeito. Encheu porque estava assoreado.
Viomundo – Alargar o Tietê, avançando sobre as marginais, resolveria as enchentes?
Júlio Cerqueira César Neto – Não acho que a solução seja por aí. Outro dia vi uma entrevista de um urbanista, dizendo que a prefeitura precisava tirar as marginais da várzea e colocá-las na encosta. No meu entender, tirar as marginais do lugar é algo totalmente fora de propósito.
Viomundo – E o que fazer?
Júlio Cerqueira César Neto – A calha do Tietê foi projetada há 20 anos. Na época, previa-se que a vazão de 1.000 metros cúbicos por segundo seria adequada para os nossos dias. Dez anos depois de iniciada a obra [levou 20 para ficar pronta], verificou-se que os 1.000 metros cúbicos já não seriam suficientes. Eram necessários 1.400. A urbanização foi muito mais intensa e mais rápida do que o imaginado. Ampliar o tamanho da calha não dá mais. A única forma de fazer com que a vazão voltasse a ser de 1.000 metros cúbicos por segundo é fazer piscinões. Infelizmente, pois são um mal necessário.
Viomundo – Por que infelizmente?
Júlio Cerqueira César Neto – Do ponto de vista hidráulico, os piscinões são perfeitos. Retêm o pico das cheias dos afluentes, diminuindo a quantidade de água que chega ao Tietê. É o único jeito de fazermos com que a vazão do Tietê baixe de 1.400 metros cúbicos por segundo para 1.000. Para isso, o governo do estado de São Paulo, via DAEE, projetou 134 piscinões. Entretanto, nos últimos dez anos, construiu apenas 43.
Viomundo – Um terço...
Júlio Cerqueira César Neto – Pois é. Com isso, não conseguiu baixar a vazão de 1.400 metros cúbicos para 1.000. Ou seja, mesmo que a calha do Tietê estivesse limpa, ela seria insuficiente para uma capacidade de 1.300 metros cúbicos por segundo, por exemplo, que são vazões que ocorrerão daqui para frente, no período chuvoso, que vai principalmente de janeiro a março.
Viomundo – Então até agora não choveu muito mesmo?
Júlio Cerqueira César Neto – As duas enchentes ocorreram com chuvas moderadas. São chuvas do período de estiagem. Ou seja, o pior está por vir.
Viomundo – E como resolver a questão das enchentes a curto prazo?
Júlio Cerqueira César Neto – A calha do Tietê tem duas deficiências importantes e não há como resolvê-las de pronto. Vamos ter de conviver com a insuficiência da calha por muitos anos ainda.
Viomundo – Por quê?
Júlio Cerqueira César Neto – Primeiro: temos de fazer 91 piscinões. Se eles levaram [o governo São Paulo] 10 anos para fazer 43, levarão mais 20 para fazer os que faltam. Segundo: o governo do estado não está disposto a gastar mais do que a limpeza [de resíduos da calha] de 400 mil metros cúbicos por ano, quando são necessários 1,2 milhão. São duas deficiências que precisam ser resolvidas. Ou o governo do estado faz mais piscinões e limpa a calha do Tietê ou vamos ter enchentes frequentemente.
Viomundo – O senhor disse que os piscinões são um mal necessário. Gostaria que me explicasse por quê.
Júlio Cerqueira César Neto – Nós temos um sistema que conduz o esgoto doméstico e outro, as águas pluviais. Chama-se sistema separador absoluto. Porém, há 30 anos, a nossa “magnífica” Sabesp constrói redes coletoras de esgoto que jogam o esgoto diretamente no córrego mais próximo. O córrego é do sistema de drenagem e não do sistema de esgotos. Então, todos os córregos da região metropolitana de São Paulo e o próprio rio Tietê – deste eu nem preciso falar para você – são esgotos a céu aberto. Os esgotos saem da rede, entram nos córregos. Portanto, quando se faz um piscinão num córrego desses, você retém não apenas a água da chuva mas a do esgoto também.
Viomundo – Quer dizer que o piscinão é um “esgotão”?
Júlio Cerqueira César Neto – Na prática, os piscinões são verdadeiros esgotos, sim. Ainda mais quando a água fica parada. Daí, sim, ela decanta, formando um lodo no fundo. É uma situação sanitária extremamente desfavorável. Esse é um dos aspectos pelos quais eu não gosto dos piscinões. Na sequência, eles se tornam um tremendo problema; são foco de proliferação de doenças na cidade.
Viomundo – Ou seja, do ponto de vista de saúde pública o piscinão é péssimo?
Júlio Cerqueira César Neto – Sim. Por isso eu digo que é um mal necessário. Só deve ser feito onde não há outra coisa a fazer. Não façam, pelo amor de Deus, piscinões para resolver alagamentos das cidades da região metropolitana, que são as enchentes das prefeituras. Deixem a água correr normalmente.
Viomundo – A curto prazo, o senhor já disse que não tem solução para o Tietê. Se o governo acelerar hoje a limpeza do rio, o resultado não vai aparecer amanhã. E agora?
Júlio Cerqueira César Neto – Esse trabalho tem de ser iniciado já. O governo do estado tem de passar a tirar 1,2 milhão metros cúbicos de resíduos do Tietê. Precisa colocar mais dinheiro no orçamento do ano que vem, porque essas obras não são feitas em uma semana. E esse trabalho de limpeza tem de ser feito o ano inteiro – de janeiro a dezembro. Ininterruptamente. É tirar, tirar, tirar, para evitar o acúmulo de resíduos no fundo do rio.
Viomundo – E se governo do estado de São Paulo não fizer a limpeza diária como tem de ser feita, nem investir os recursos necessários?
Júlio Cerqueira César Neto – Então que avise a população. Avise-a também que a cidade vai inundar. Quanto aos piscinões, em vez de levar 10 anos para fazer os que 91 que faltam, que faça em 5 anos.
Viomundo – E se o governo disser que não pode?
Júlio Cerqueira César Neto – Pode, sim. É só colocar dinheiro.
Viomundo – Isso implica estabelecer as enchentes como prioridade.
Júlio Cerqueira César Neto – Se é que é uma prioridade... Não me parece. Até agora, o governo de São Paulo não disse a que veio. Na quarta-feira, a Câmara Municipal aprovou o orçamento da Prefeitura. Para 2010, a verba de córregos e galerias para o sistema de drenagem pluvial da cidade foi cortada pela metade. E olha que provavelmente nem o orçamento inicial seria suficiente. Mas não cortaram a verba de publicidade da prefeitura. Com essas atitudes, o recado que deram é o de que enchente não é um problema importante.
Viomundo – Será que a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo estão contando com a ajuda especial de São Pedro nos próximos meses?
Júlio Cerqueira César Neto – Eu não vejo com otimismo a nossa próxima estação chuvosa, não. Janeiro, fevereiro e março são os meses das grandes chuvas. E nós vamos ter situações piores do que as tivemos em setembro e dezembro.
Viomundo – Há quatro anos, quando foi concluído o bilionário rebaixamento da calha do Tietê, se propagandeou que São Paulo não teria mais enchentes. E agora?
Júlio Cerqueira César Neto – Essa informação de que não teríamos mais enchentes em São Paulo era simplesmente uma mentira. Primeiro, a calha não tem a capacidade que deveria ter. Segundo, faltam 91 piscinões. Terceiro, se o governo não se propuser a tirar do fundo do rio a quantidade necessária de resíduos, nós vamos continuar tendo mais enchentes . Portanto, é mentira que não teríamos mais enchentes aqui.
Viomundo – Mas não tem jeito mesmo de se evitar inundação nesses próximos meses em São Paulo?
Júlio Cerqueira César Neto – A não ser que São Pedro se transforme num anjinho e diga: “Não chova mais na região de São Paulo, a não ser umas gotinhas...” Mas isso a gente não pode esperar, concorda?
http://www.viomundo.com.br
A bancada estadual do PT ingressou nesta semana com uma representação na Procuradoria Geral da Justiça de São Paulo para que sejam apuradas “as suspeitas de ilegalidade, inconstitucionalidade e improbidade na gestão de José Serra, que reduziu os recursos para a prevenção e o combate às enchentes”. O partido acusa o governador tucano de “má gestão e omissão criminosa” e denúncia que os recursos para a prevenção das enchentes estão sendo remanejados, e “têm sido destinados à publicidade do seu governo, visando às eleições presidenciais de 2010”.
Em 2009, Serra deixou de investir R$ 114 milhões nas obras de desassoreamento da bacia do rio Tietê. Já o Orçamento de 2010 prevê corte de outros R$ 51,5 milhões para as ações de prevenção de enchentes. No outro extremo, o obstinado candidato tucano garfou R$ 561 milhões dos cofres públicos para a rubrica comunicação em 2010. Em 2006, o gasto foi de R$ 37 milhões. Ou seja: no ano da sucessão presidencial, o tucano multiplica por quinze vezes os gastos em publicidade. Já as vítimas das enchentes, inclusive os quase 70 mortos até agora, ficam sem recursos públicos.
O “modelo de gestão” tucano
Caso a Procuradoria Geral da Justiça decida, de fato, apurar a denúncia de “omissão criminosa” do governador paulista, ela prestará uma inestimável ajuda à sociedade. Ajudará a desmistificar o badalado “modelo de gestão” de José Serra, vendido no país como um exemplo de sucesso pela mídia demo-tucana. Os estragos provocados pelas enchentes em São Paulo são uma prova cabal de que este “modelo” causou o sucateamento do estado e incentivou a privatização de serviços públicos essenciais para a população, em especial a mais carente das abandonadas periferias.
Com este intento, os procuradores poderiam consultar o excelente blog Vi o mundo, editado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, que tem reproduzido várias matérias sobre as verdadeiras causas das enchentes. Numa delas, a repórter Conceição Lemes entrevistou José Arraes, integrante do Comitê da Bacia do Alto Tietê, do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e do conselho gestor da APA (Área de Proteção Ambiental) da várzea do Tietê. Seu depoimento é bombástico e até poderia resultar numa ordem de prisão contra o tucano José Serra.
Gerenciamento de barragens privatizado
O especialista revela que o gerenciamento das barragens do Alto Tietê, que tem forte impacto no nível dos rios e nos estragos causados pelas enchentes em vários bairros da capital e em inúmeras cidades do interior paulista, atualmente é feito por um consórcio de empresas privadas. A Sabesp e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) foram afastados desta função estratégica. Documentos comprovam que a Sabesp deverá pagar até R$ 1 bilhão nos próximos 15 anos para este consórcio privado. O contrato faz parte da balada parceria público-privada, vendida por José Serra com seu bem sucedido “modelo de gestão”.
As vítimas das enchentes não sabem desta negociata, já que transparência e democracia não são práticas comuns do truculento governador paulista e a mídia demo-tucana evita tratar do assunto para blindar seu protegido, em especial num ano de eleição presidencial. Reproduzo a entrevista:
Viomundo: Por que a Sabesp e o Daee mantiveram as barragens lotadas?
José Arraes: Eu desconfio de um destes esquemas. Primeiro: para não faltar água para a Região Metropolitana de São Paulo. Assim, pode ter havido determinação governamental para estarem na cota máxima. Segundo: a Sabesp e o Daee já estarem aumentando o volume das represas, visando aumentar a produção da Estação de Tratamento de Água Taiaçupeba de 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos por segundo (10m³/s para 15m³/s). Terceira: a privatização do Sistema Produtor de Água do Alto Tietê (SPAT). Hoje é um consórcio de empresas privadas que regula, administra, mantém e fornece as águas que estão represadas nessas barragens.
Viomundo: Por favor, explique melhor isso.
José Arraes: Existe um consórcio de empresas – entre elas, uma empreiteira conhecida na nossa região, a Queiroz Galvão –, que hoje gerencia as águas reservadas nas represas em uma parceria público-privada. Toda a água represada em todas as barragens do Sistema do Alto Tietê é gerenciada por esse consórcio. Quanto mais cheias as represas, mais interessantes para o consórcio. Interesse comercial, nada mais do que isso.
Viomundo: Quer dizer que as águas das barragens do Alto Tietê estão privatizadas?
José Arraes: Sim. As empresas do consórcio fazem a conservação das barragens e a intermediação com a necessidade da Sabesp que a trata e remete para a população. Logo, para o consórcio de empresas, quanto mais cheias estiverem as barragens, mais água fornece para a Sabesp. Mais ganhos financeiros, portanto.
Viomundo: Qual das três hipóteses é a mais provável?
José Arraes: Talvez a combinação das três. Cabe ao Ministério Público investigar. O fato é que as barragens do Alto Tietê estão excessivamente cheias e as comportas estão sendo abertas, contribuindo com as inundações em toda a calha do rio até a região do Pantanal.
Enchentes: “omissão criminosa” de Serra
As enchentes que castigam São Paulo desde dezembro passado não são culpa exclusiva da mãe-natureza, como insiste em alardear a mídia demo-tucana. Bem diferente da postura adotada na gestão de Marta Suplicy, quando os âncoras e comentaristas da televisão crucificaram a prefeita petista, agora a mídia tenta limpar a barra dos responsáveis – culpa Deus e o povo. A TV Globo, sob o comando do “senhor das trevas” Ali Kamel, amiguinho de José Serra, é a mais tendenciosa na cobertura. O governador nem sequer é citado, parece que submergiu nas águas lamacentas.
E isto quando os estragos causados não têm qualquer comparação na história recente do estado. Até o final de janeiro, cerca de 70 pessoas já haviam morrido em decorrência dos desabamentos e afogamentos; 132 cidades paulistas tinham sido atingidas por inundações e desmoronamentos; bairros da capital e 26 municípios do interior estavam alagados, com a população vegetando em lonas e barracos, sem comida e água para beber. Diante do caos, o prefeito demo Kassab culpou os pobres; o governador tucano Serra sumiu; e a mídia demo-tucana faz de tudo para blindá-los.
Recursos desviados para a publicidade
Mas o povo não é bobo e a verdade vai aparecendo aos poucos – o que talvez explique a queda do presidenciável tucano nas últimas pesquisas de opinião pública. Várias entidades populares e técnicos sérios passaram a denunciar os verdadeiros culpados pelo drama vivido pelos paulistas. O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) comprovou que a empresa responsável pelo setor, Sabesp, foi sucateada durante o longo reinado tucano no estado, com a demissão de milhares de funcionários e os cortes nos investimentos em infra-estrutura.
Com base em várias denúncias, a bancada do PT na Assembléia Legislativa entrou nesta semana com representação na Procuradoria Geral da Justiça para que sejam apuradas “as suspeitas de ilegalidade, inconstitucionalidade e improbidade na gestão de José Serra, que reduziu os recursos para a prevenção e combate às enchentes”. O partido responsabiliza o governador por “má gestão e omissão criminosa” e denúncia que os recursos para a prevenção das enchentes estão sendo remanejados e “têm sido destinados à publicidade do seu governo, visando à eleição de 2010”.
Cortes nos gastos em infra-estrutura
As provas exibidas pela bancada petista são irrefutáveis. De acordo com dados do Orçamento do Estado, em 2010 houve redução de 20% nas operações de combate a enchentes. Em 2009, foram previstos R$ 252 milhões; já em 2010, estão estimados R$ 200 milhões – uma queda de R$ 51,5 milhões. “Os números revelam que será cortado quase o dobro do valor dos atuais contratos para desassoreamento da calha do Rio Tietê, que somam R$ 27,2 milhões – se com os valores atuais o resultado é o visto, imagine-se com um corte que é o dobro dos valores atuais”, alerta a bancada.
O orçamento estadual também prevê menos investimentos em serviços e obras complementares da Bacia do Alto Tietê. O corte proposto para 2010 é de 61%. Já no Departamento de Água e Energia Elétrica, órgão do governo responsável pelas obras da calha do Tietê, foi previsto um corte de R$ 20,3 milhões. “Essa redução se dá especialmente nas despesas correntes, onde estão as ações de desassoreamento da calha, que atingiram o valor de R$ 30,8 milhões e o impacto de R$ 42 milhões a menos nos investimentos”, descreve o texto da representação.
“Má gestão e imoralidade pública”
A Procuradoria recebeu tabelas comparativas entre os gastos no combate às enchentes e os gastos em publicidade. Extraídas do Sistema de Gerenciamento de Execução Orçamentária (Sigeo), elas revelam que, entre 2006 e 2009, José Serra deixou de contratar o desassoreamento e de destinar recursos adequados ao combate às inundações. “Havia uma previsibilidade e, então, temos uma omissão culposa, além da má gestão e da improbidade face à imoralidade do desvio de finalidade que a alocação dos recursos representa”, critica o deputado Ruy Falcão, líder da bancada.
Os estragos causados pelas enchentes em São Paulo, além de confirmarem o total menosprezo do governador José Serra com os dramas da população, corroboram a tese de que existe uma relação promíscua entre o grão-tucano e a mídia golpista. Como insiste o jornalista Luiz Carlos Azenha, no vigilante blog Vi o mundo, a imprensa evita desnudar as verdadeiras causas desta tragédia paulista. Ela inocenta o presidenciável tucano e prefere culpar Deus e os pobres, fazendo vários malabarismos jornalísticos e estatísticos para justificar o injustificável.
Mídia não toca na promessa tucana
O atento blogueiro observa que “nos últimos dias, a Folha e outros órgãos da mídia tem dançado em torno de um recorde irrelevante: se as chuvas desde janeiro em São Paulo serão ou não as maiores dos registros históricos. Minha pergunta é: e daí? Para quem é vitima das enchentes ou para quem dirige pelas marginais do Tietê e de Pinheiros isso é absolutamente irrelevante”. Para ele, o bom jornalismo recomendaria averiguar porque a principal promessa eleitoral dos tucanos, a do fim das enchentes na calha do rio Tietê, afundou de vez no cotidiano lamaçal paulista.
“É impossível dançar em torno dessa realidade: o gerenciamento das represas do Alto Tietê e a capacidade de vazão do rio são essenciais não apenas para a temporada de chuvas de 2010, mas de 2011, 2012, 2013..., independentemente de quem seja o governador. Sabemos que Geraldo Alckmin concluiu uma obra bilionária cuja promessa central era acabar com as enchentes em São Paulo... No entanto, quatro anos depois da conclusão desta obra o rio Tietê já transbordou quatro vezes: uma durante o próprio governo de Alckmin e três recentemente, no governo Serra. Foram milhões em prejuízos para a cidade, tanto em danos diretos como em danos indiretos”.
http://www.altamiroborges.blogspot.com/
Júlio Cerqueira César Neto: “São Pedro e o lixo jogado na rua não foram os responsáveis pelas enchentes de 8 de setembro e 8 de dezembro em São Paulo”
por Conceição Lemes
Filho feio não tem pai. Já se o rebento tem pedigree, sobram candidatos.
O governador de São Paulo, José Serra, é hors concours na área. Assume como dele a criação do Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, considerado um exemplo no mundo. Só que os verdadeiros criadores são a doutora Lair Guerra de Macedo Rodrigues e o professor Adib Jatene.
“Serra, pai dos genéricos? PSDB, criador dos genéricos? Assumir como deles é um embuste!”, disse em junho ao Viomundo, o médico Jamil Haddad, falecido na semana passada, aos 83 anos. Ex- deputado federal, ex-prefeito do Rio Janeiro e ministro da Saúde de outubro de 1992 a agosto de1993, Jamil Haddad é o verdadeiro pai dos genéricos do Brasil.
Em compensação, Serra nunca é pai de perebentos. Inexoravelmente culpa os outros. Tanto que terceirizou a paternidade das inundações em São Paulo. Além do desplante de dizer que o noticiário negativo era obra do que chamou de PT Press, o governador afirmou que problema da enchente foi a enorme, anormal, atípica chuva.
Para colocar os pingos nos is, o Viomundo entrevistou o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto. Durante 30 anos – está com 80 – foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica/USP. É considerado um dos grandes especialistas do Brasil nessa área.
Viomundo – Nos últimos dois meses, São Paulo submergiu duas vezes. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador José Serra (PSDB) culparam principalmente a “quantidade anormal de chuvas no período” e “ lixo jogado na rua pela população”. São Pedro e o povo são os responsáveis por essas duas inundações históricas?
Júlio Cerqueira César Neto – Não. Querendo dourar a pílula, as autoridades lançaram mão de vários parâmetros para confundir a opinião pública. Esses fatores realmente existem. Porém, São Pedro e a educação sanitária não são os causadores das enchentes de 8 de setembro e 8 dezembro.
Viomundo – São Pedro não teve mesmo culpa no cartório?
Júlio Cerqueira César Neto – Nas duas inundações deste ano, São Pedro está completamente isento. As duas chuvas [8 de setembro e 8 dezembro] não foram catastróficas, elas foram moderadas. Aliás, sempre que acontece uma enchente dessas, o prefeito, o governador, os secretários aparecem dizendo que São Pedro foi o responsável. Nada deixa a população mais irritada do que essa desculpa esfarrapada.
Viomundo – E o lixo jogado na rua?
Júlio Cerqueira César Neto – Prejudica um pouco, mas não é o principal. É só um fator colocado no debate pelas autoridades para confundir a opinião pública, e esconder os verdadeiros responsáveis.
Viomundo – Então quais as causas principais dessas enchentes?
Júlio Cerqueira César Neto – Uma delas, o assoreamento do Tietê. Assoreamento é o material sólido que vem na corrente líquida do rio: terra, erosão, lixo, entulho de obra. Na cidade de São Paulo, a declividade do Tietê é muito pequena e a velocidade, muito baixa. É como se o rio estivesse quase parado. Todo material sólido deposita-se, então, no fundo do canal, reduzindo a profundidade. Consequentemente, diminui também a capacidade de transporte de água na hora da chuva. É o que acontece com o Tietê. Em vez de ter espaço para passar, por exemplo, 1.000 metros cúbicos por segundo, só “cabem” 500. Os outros 500 transbordam.
Viomundo – Isso acontece também com os afluentes do Tietê?
Júlio Cerqueira César Neto – Pelo contrário. Eles têm declividade forte e velocidade grande de água e não assoreiam. Consequentemente, das cabeceiras até chegar ao Tietê, eles têm facilidade de transporte de material sólido. E como o Tietê tem velocidade muito baixa, esse material se deposita no canal do próprio Tietê.
Viomundo – Sempre foi assim?
Júlio Cerqueira César Neto – O Tietê sempre teve velocidade baixa. Não dá para modificar isso. É a conformação geológica e topográfica do rio.
Viomundo – Anualmente quanto de resíduos o Tietê recebe?
Júlio Cerqueira César Neto – Na cidade de São Paulo, entre a barragem da Penha [Zona Leste] e o Cebolão [Zona Oeste], aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de terra. Se você deixar isso no fundo do rio, a capacidade dele diminui. E o que o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o DAEE do governo do Estado de São Paulo, tem feito? O DAEE faz a limpeza, mas tira apenas 400 mil metros cúbicos por ano.
Viomundo – O DAEE tira só um terço.
Júlio Cerqueira César Neto – Deixa, portanto, anualmente uma quantidade muito grande de sedimentos no Tietê, diminuindo capacidade de ele transportar as vazões de enchentes. No dia 8 de setembro, às 16h30m, no Viaduto da Casa Verde, um engenheiro mediu a quantidade de água que passava no rio. Deu 735 metros cúbicos por segundo. Ali, naquele trecho, se o canal do Tietê estivesse limpo, poderia passar mais de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se o Tietê já transbordou com 735 metros cúbicos é porque estava assoreado.
Viomundo – Se o Tietê não estivesse assoreado, a inundação de setembro não teria havido?
Júlio Cerqueira César Neto – A inundação aconteceu porque o Tietê estava com mais da metade da sua capacidade obstruída por resíduos depositados no fundo do seu canal e que não foram limpos adequadamente pelo governo do estado.
Viomundo – E no dia 8 dezembro?
Júlio Cerqueira César Neto – Nenhum engenheiro foi lá medir. Mas pelas consequências a coisa foi muito semelhante à de 8 de setembro. Se a vazão não foi 735 metros cúbicos por segundo, foi de 835, 800, ou algo parecido. Se não houvesse assoreamento, a cidade não teria inundado. Houve inundação, porque o Tietê estava ainda mais assoreado do que em setembro. As causas que levam às enchentes são principalmente o assoreamento e a má limpeza do rio.
Viomundo – Ou seja, tem de se varrer todo dia o lixo da “casa”(rio). Se acumular, com o tempo a gente não passa mais...
Júlio Cerqueira César Neto — Você tem um rio que deveria ter capacidade de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se ele está sujo, a capacidade dele fica reduzida para 500, por exemplo. Assim, se a quantidade de água devido à chuva for de 700 metros cúbicos por segundo, ele extravasa. Não tem jeito. Encheu porque estava assoreado.
Viomundo – Alargar o Tietê, avançando sobre as marginais, resolveria as enchentes?
Júlio Cerqueira César Neto – Não acho que a solução seja por aí. Outro dia vi uma entrevista de um urbanista, dizendo que a prefeitura precisava tirar as marginais da várzea e colocá-las na encosta. No meu entender, tirar as marginais do lugar é algo totalmente fora de propósito.
Viomundo – E o que fazer?
Júlio Cerqueira César Neto – A calha do Tietê foi projetada há 20 anos. Na época, previa-se que a vazão de 1.000 metros cúbicos por segundo seria adequada para os nossos dias. Dez anos depois de iniciada a obra [levou 20 para ficar pronta], verificou-se que os 1.000 metros cúbicos já não seriam suficientes. Eram necessários 1.400. A urbanização foi muito mais intensa e mais rápida do que o imaginado. Ampliar o tamanho da calha não dá mais. A única forma de fazer com que a vazão voltasse a ser de 1.000 metros cúbicos por segundo é fazer piscinões. Infelizmente, pois são um mal necessário.
Viomundo – Por que infelizmente?
Júlio Cerqueira César Neto – Do ponto de vista hidráulico, os piscinões são perfeitos. Retêm o pico das cheias dos afluentes, diminuindo a quantidade de água que chega ao Tietê. É o único jeito de fazermos com que a vazão do Tietê baixe de 1.400 metros cúbicos por segundo para 1.000. Para isso, o governo do estado de São Paulo, via DAEE, projetou 134 piscinões. Entretanto, nos últimos dez anos, construiu apenas 43.
Viomundo – Um terço...
Júlio Cerqueira César Neto – Pois é. Com isso, não conseguiu baixar a vazão de 1.400 metros cúbicos para 1.000. Ou seja, mesmo que a calha do Tietê estivesse limpa, ela seria insuficiente para uma capacidade de 1.300 metros cúbicos por segundo, por exemplo, que são vazões que ocorrerão daqui para frente, no período chuvoso, que vai principalmente de janeiro a março.
Viomundo – Então até agora não choveu muito mesmo?
Júlio Cerqueira César Neto – As duas enchentes ocorreram com chuvas moderadas. São chuvas do período de estiagem. Ou seja, o pior está por vir.
Viomundo – E como resolver a questão das enchentes a curto prazo?
Júlio Cerqueira César Neto – A calha do Tietê tem duas deficiências importantes e não há como resolvê-las de pronto. Vamos ter de conviver com a insuficiência da calha por muitos anos ainda.
Viomundo – Por quê?
Júlio Cerqueira César Neto – Primeiro: temos de fazer 91 piscinões. Se eles levaram [o governo São Paulo] 10 anos para fazer 43, levarão mais 20 para fazer os que faltam. Segundo: o governo do estado não está disposto a gastar mais do que a limpeza [de resíduos da calha] de 400 mil metros cúbicos por ano, quando são necessários 1,2 milhão. São duas deficiências que precisam ser resolvidas. Ou o governo do estado faz mais piscinões e limpa a calha do Tietê ou vamos ter enchentes frequentemente.
Viomundo – O senhor disse que os piscinões são um mal necessário. Gostaria que me explicasse por quê.
Júlio Cerqueira César Neto – Nós temos um sistema que conduz o esgoto doméstico e outro, as águas pluviais. Chama-se sistema separador absoluto. Porém, há 30 anos, a nossa “magnífica” Sabesp constrói redes coletoras de esgoto que jogam o esgoto diretamente no córrego mais próximo. O córrego é do sistema de drenagem e não do sistema de esgotos. Então, todos os córregos da região metropolitana de São Paulo e o próprio rio Tietê – deste eu nem preciso falar para você – são esgotos a céu aberto. Os esgotos saem da rede, entram nos córregos. Portanto, quando se faz um piscinão num córrego desses, você retém não apenas a água da chuva mas a do esgoto também.
Viomundo – Quer dizer que o piscinão é um “esgotão”?
Júlio Cerqueira César Neto – Na prática, os piscinões são verdadeiros esgotos, sim. Ainda mais quando a água fica parada. Daí, sim, ela decanta, formando um lodo no fundo. É uma situação sanitária extremamente desfavorável. Esse é um dos aspectos pelos quais eu não gosto dos piscinões. Na sequência, eles se tornam um tremendo problema; são foco de proliferação de doenças na cidade.
Viomundo – Ou seja, do ponto de vista de saúde pública o piscinão é péssimo?
Júlio Cerqueira César Neto – Sim. Por isso eu digo que é um mal necessário. Só deve ser feito onde não há outra coisa a fazer. Não façam, pelo amor de Deus, piscinões para resolver alagamentos das cidades da região metropolitana, que são as enchentes das prefeituras. Deixem a água correr normalmente.
Viomundo – A curto prazo, o senhor já disse que não tem solução para o Tietê. Se o governo acelerar hoje a limpeza do rio, o resultado não vai aparecer amanhã. E agora?
Júlio Cerqueira César Neto – Esse trabalho tem de ser iniciado já. O governo do estado tem de passar a tirar 1,2 milhão metros cúbicos de resíduos do Tietê. Precisa colocar mais dinheiro no orçamento do ano que vem, porque essas obras não são feitas em uma semana. E esse trabalho de limpeza tem de ser feito o ano inteiro – de janeiro a dezembro. Ininterruptamente. É tirar, tirar, tirar, para evitar o acúmulo de resíduos no fundo do rio.
Viomundo – E se governo do estado de São Paulo não fizer a limpeza diária como tem de ser feita, nem investir os recursos necessários?
Júlio Cerqueira César Neto – Então que avise a população. Avise-a também que a cidade vai inundar. Quanto aos piscinões, em vez de levar 10 anos para fazer os que 91 que faltam, que faça em 5 anos.
Viomundo – E se o governo disser que não pode?
Júlio Cerqueira César Neto – Pode, sim. É só colocar dinheiro.
Viomundo – Isso implica estabelecer as enchentes como prioridade.
Júlio Cerqueira César Neto – Se é que é uma prioridade... Não me parece. Até agora, o governo de São Paulo não disse a que veio. Na quarta-feira, a Câmara Municipal aprovou o orçamento da Prefeitura. Para 2010, a verba de córregos e galerias para o sistema de drenagem pluvial da cidade foi cortada pela metade. E olha que provavelmente nem o orçamento inicial seria suficiente. Mas não cortaram a verba de publicidade da prefeitura. Com essas atitudes, o recado que deram é o de que enchente não é um problema importante.
Viomundo – Será que a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo estão contando com a ajuda especial de São Pedro nos próximos meses?
Júlio Cerqueira César Neto – Eu não vejo com otimismo a nossa próxima estação chuvosa, não. Janeiro, fevereiro e março são os meses das grandes chuvas. E nós vamos ter situações piores do que as tivemos em setembro e dezembro.
Viomundo – Há quatro anos, quando foi concluído o bilionário rebaixamento da calha do Tietê, se propagandeou que São Paulo não teria mais enchentes. E agora?
Júlio Cerqueira César Neto – Essa informação de que não teríamos mais enchentes em São Paulo era simplesmente uma mentira. Primeiro, a calha não tem a capacidade que deveria ter. Segundo, faltam 91 piscinões. Terceiro, se o governo não se propuser a tirar do fundo do rio a quantidade necessária de resíduos, nós vamos continuar tendo mais enchentes . Portanto, é mentira que não teríamos mais enchentes aqui.
Viomundo – Mas não tem jeito mesmo de se evitar inundação nesses próximos meses em São Paulo?
Júlio Cerqueira César Neto – A não ser que São Pedro se transforme num anjinho e diga: “Não chova mais na região de São Paulo, a não ser umas gotinhas...” Mas isso a gente não pode esperar, concorda?
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José Serra “privatizou” as enchentes
Em 2009, Serra deixou de investir R$ 114 milhões nas obras de desassoreamento da bacia do rio Tietê. Já o Orçamento de 2010 prevê corte de outros R$ 51,5 milhões para as ações de prevenção de enchentes. No outro extremo, o obstinado candidato tucano garfou R$ 561 milhões dos cofres públicos para a rubrica comunicação em 2010. Em 2006, o gasto foi de R$ 37 milhões. Ou seja: no ano da sucessão presidencial, o tucano multiplica por quinze vezes os gastos em publicidade. Já as vítimas das enchentes, inclusive os quase 70 mortos até agora, ficam sem recursos públicos.
O “modelo de gestão” tucano
Caso a Procuradoria Geral da Justiça decida, de fato, apurar a denúncia de “omissão criminosa” do governador paulista, ela prestará uma inestimável ajuda à sociedade. Ajudará a desmistificar o badalado “modelo de gestão” de José Serra, vendido no país como um exemplo de sucesso pela mídia demo-tucana. Os estragos provocados pelas enchentes em São Paulo são uma prova cabal de que este “modelo” causou o sucateamento do estado e incentivou a privatização de serviços públicos essenciais para a população, em especial a mais carente das abandonadas periferias.
Com este intento, os procuradores poderiam consultar o excelente blog Vi o mundo, editado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, que tem reproduzido várias matérias sobre as verdadeiras causas das enchentes. Numa delas, a repórter Conceição Lemes entrevistou José Arraes, integrante do Comitê da Bacia do Alto Tietê, do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e do conselho gestor da APA (Área de Proteção Ambiental) da várzea do Tietê. Seu depoimento é bombástico e até poderia resultar numa ordem de prisão contra o tucano José Serra.
Gerenciamento de barragens privatizado
O especialista revela que o gerenciamento das barragens do Alto Tietê, que tem forte impacto no nível dos rios e nos estragos causados pelas enchentes em vários bairros da capital e em inúmeras cidades do interior paulista, atualmente é feito por um consórcio de empresas privadas. A Sabesp e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) foram afastados desta função estratégica. Documentos comprovam que a Sabesp deverá pagar até R$ 1 bilhão nos próximos 15 anos para este consórcio privado. O contrato faz parte da balada parceria público-privada, vendida por José Serra com seu bem sucedido “modelo de gestão”.
As vítimas das enchentes não sabem desta negociata, já que transparência e democracia não são práticas comuns do truculento governador paulista e a mídia demo-tucana evita tratar do assunto para blindar seu protegido, em especial num ano de eleição presidencial. Reproduzo a entrevista:
Viomundo: Por que a Sabesp e o Daee mantiveram as barragens lotadas?
José Arraes: Eu desconfio de um destes esquemas. Primeiro: para não faltar água para a Região Metropolitana de São Paulo. Assim, pode ter havido determinação governamental para estarem na cota máxima. Segundo: a Sabesp e o Daee já estarem aumentando o volume das represas, visando aumentar a produção da Estação de Tratamento de Água Taiaçupeba de 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos por segundo (10m³/s para 15m³/s). Terceira: a privatização do Sistema Produtor de Água do Alto Tietê (SPAT). Hoje é um consórcio de empresas privadas que regula, administra, mantém e fornece as águas que estão represadas nessas barragens.
Viomundo: Por favor, explique melhor isso.
José Arraes: Existe um consórcio de empresas – entre elas, uma empreiteira conhecida na nossa região, a Queiroz Galvão –, que hoje gerencia as águas reservadas nas represas em uma parceria público-privada. Toda a água represada em todas as barragens do Sistema do Alto Tietê é gerenciada por esse consórcio. Quanto mais cheias as represas, mais interessantes para o consórcio. Interesse comercial, nada mais do que isso.
Viomundo: Quer dizer que as águas das barragens do Alto Tietê estão privatizadas?
José Arraes: Sim. As empresas do consórcio fazem a conservação das barragens e a intermediação com a necessidade da Sabesp que a trata e remete para a população. Logo, para o consórcio de empresas, quanto mais cheias estiverem as barragens, mais água fornece para a Sabesp. Mais ganhos financeiros, portanto.
Viomundo: Qual das três hipóteses é a mais provável?
José Arraes: Talvez a combinação das três. Cabe ao Ministério Público investigar. O fato é que as barragens do Alto Tietê estão excessivamente cheias e as comportas estão sendo abertas, contribuindo com as inundações em toda a calha do rio até a região do Pantanal.
Enchentes: “omissão criminosa” de Serra
As enchentes que castigam São Paulo desde dezembro passado não são culpa exclusiva da mãe-natureza, como insiste em alardear a mídia demo-tucana. Bem diferente da postura adotada na gestão de Marta Suplicy, quando os âncoras e comentaristas da televisão crucificaram a prefeita petista, agora a mídia tenta limpar a barra dos responsáveis – culpa Deus e o povo. A TV Globo, sob o comando do “senhor das trevas” Ali Kamel, amiguinho de José Serra, é a mais tendenciosa na cobertura. O governador nem sequer é citado, parece que submergiu nas águas lamacentas.
E isto quando os estragos causados não têm qualquer comparação na história recente do estado. Até o final de janeiro, cerca de 70 pessoas já haviam morrido em decorrência dos desabamentos e afogamentos; 132 cidades paulistas tinham sido atingidas por inundações e desmoronamentos; bairros da capital e 26 municípios do interior estavam alagados, com a população vegetando em lonas e barracos, sem comida e água para beber. Diante do caos, o prefeito demo Kassab culpou os pobres; o governador tucano Serra sumiu; e a mídia demo-tucana faz de tudo para blindá-los.
Recursos desviados para a publicidade
Mas o povo não é bobo e a verdade vai aparecendo aos poucos – o que talvez explique a queda do presidenciável tucano nas últimas pesquisas de opinião pública. Várias entidades populares e técnicos sérios passaram a denunciar os verdadeiros culpados pelo drama vivido pelos paulistas. O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) comprovou que a empresa responsável pelo setor, Sabesp, foi sucateada durante o longo reinado tucano no estado, com a demissão de milhares de funcionários e os cortes nos investimentos em infra-estrutura.
Com base em várias denúncias, a bancada do PT na Assembléia Legislativa entrou nesta semana com representação na Procuradoria Geral da Justiça para que sejam apuradas “as suspeitas de ilegalidade, inconstitucionalidade e improbidade na gestão de José Serra, que reduziu os recursos para a prevenção e combate às enchentes”. O partido responsabiliza o governador por “má gestão e omissão criminosa” e denúncia que os recursos para a prevenção das enchentes estão sendo remanejados e “têm sido destinados à publicidade do seu governo, visando à eleição de 2010”.
Cortes nos gastos em infra-estrutura
As provas exibidas pela bancada petista são irrefutáveis. De acordo com dados do Orçamento do Estado, em 2010 houve redução de 20% nas operações de combate a enchentes. Em 2009, foram previstos R$ 252 milhões; já em 2010, estão estimados R$ 200 milhões – uma queda de R$ 51,5 milhões. “Os números revelam que será cortado quase o dobro do valor dos atuais contratos para desassoreamento da calha do Rio Tietê, que somam R$ 27,2 milhões – se com os valores atuais o resultado é o visto, imagine-se com um corte que é o dobro dos valores atuais”, alerta a bancada.
O orçamento estadual também prevê menos investimentos em serviços e obras complementares da Bacia do Alto Tietê. O corte proposto para 2010 é de 61%. Já no Departamento de Água e Energia Elétrica, órgão do governo responsável pelas obras da calha do Tietê, foi previsto um corte de R$ 20,3 milhões. “Essa redução se dá especialmente nas despesas correntes, onde estão as ações de desassoreamento da calha, que atingiram o valor de R$ 30,8 milhões e o impacto de R$ 42 milhões a menos nos investimentos”, descreve o texto da representação.
“Má gestão e imoralidade pública”
A Procuradoria recebeu tabelas comparativas entre os gastos no combate às enchentes e os gastos em publicidade. Extraídas do Sistema de Gerenciamento de Execução Orçamentária (Sigeo), elas revelam que, entre 2006 e 2009, José Serra deixou de contratar o desassoreamento e de destinar recursos adequados ao combate às inundações. “Havia uma previsibilidade e, então, temos uma omissão culposa, além da má gestão e da improbidade face à imoralidade do desvio de finalidade que a alocação dos recursos representa”, critica o deputado Ruy Falcão, líder da bancada.
Os estragos causados pelas enchentes em São Paulo, além de confirmarem o total menosprezo do governador José Serra com os dramas da população, corroboram a tese de que existe uma relação promíscua entre o grão-tucano e a mídia golpista. Como insiste o jornalista Luiz Carlos Azenha, no vigilante blog Vi o mundo, a imprensa evita desnudar as verdadeiras causas desta tragédia paulista. Ela inocenta o presidenciável tucano e prefere culpar Deus e os pobres, fazendo vários malabarismos jornalísticos e estatísticos para justificar o injustificável.
Mídia não toca na promessa tucana
O atento blogueiro observa que “nos últimos dias, a Folha e outros órgãos da mídia tem dançado em torno de um recorde irrelevante: se as chuvas desde janeiro em São Paulo serão ou não as maiores dos registros históricos. Minha pergunta é: e daí? Para quem é vitima das enchentes ou para quem dirige pelas marginais do Tietê e de Pinheiros isso é absolutamente irrelevante”. Para ele, o bom jornalismo recomendaria averiguar porque a principal promessa eleitoral dos tucanos, a do fim das enchentes na calha do rio Tietê, afundou de vez no cotidiano lamaçal paulista.
“É impossível dançar em torno dessa realidade: o gerenciamento das represas do Alto Tietê e a capacidade de vazão do rio são essenciais não apenas para a temporada de chuvas de 2010, mas de 2011, 2012, 2013..., independentemente de quem seja o governador. Sabemos que Geraldo Alckmin concluiu uma obra bilionária cuja promessa central era acabar com as enchentes em São Paulo... No entanto, quatro anos depois da conclusão desta obra o rio Tietê já transbordou quatro vezes: uma durante o próprio governo de Alckmin e três recentemente, no governo Serra. Foram milhões em prejuízos para a cidade, tanto em danos diretos como em danos indiretos”.
http://www.altamiroborges.blogspot.com/
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Quinua, comida viva e espirulina (B12)
Perigo nos Andes
A raposa vinha descendo do céu, quando os papagaios arrebentaram, a bicada, a corda pela qual ela deslizava.
A raposa se espatifou contra os altos picos da cordilheira dos Andes e, ao se espatifar, espalhou a quinua que trazia na barriga, roubada dos festejos celestes.
Assim, a comida dos deuses foi semeada no mundo.
Desde aquela época, a quinua vive em terras muito altas, onde só ela é capaz de agüentar a aridez e o frio.
O mercado mundial jamais prestou a menor atenção a essa desprezível comida de índio, até que se soube que o minúsculo grãozinho, capaz de crescer onde nada cresce, é um alimento muito bom, não engorda e evita algumas doenças. Em 1994, a quinua foi patenteada por dois pesquisadores da Colorado State University (US Patent 5304718).
Desatou-se, então, a fúria dos camponeses. Os patenteadores asseguraram que não iam usar seu direito legal de proibir o cultivo, nem cobrar nada por isso, mas os camponeses, indígenas bolivianos, responderam:
- Não precisamos que venha nenhum professor dos Estados Unidos nos doar o que é nosso.
Quatro anos mais tarde, o escândalo universal obrigou a Colorado State University a renunciar à patente.
Eduardo Galeano, Espelhos – uma história quase universal, L&PM Editores, 2008, página 323
Vitamina energética de viagem
2 bananas bem maduras
4 copos de água de coco
1 colher de sopa de espirulina* em pó (fonte de B12)
1 colher de sopa de linhaça germinada
2 polpas de dois cocos verdes
Bater tudo e tomar em seguida
Pode usar uns gelinhos para contrabalancear o aquecimento do liquidificador.
http://www.comidavivaecologica.ning.com/
* Espirulina
Contém mais nutrientes que qualquer alimento conhecido. Enquanto se investigam novos alimentos e plantas para melhorar a qualidade e prolongar o tempo de vida, esta alga coloca-se na vanguarda da revolução nutricional.
A espirulina, nome comercial desta espécie, constituiu, desde sempre, uma fonte suplementar na alimentação das populações que habitavam nas proximidades de lagos. De fato, sabe-se que os Astecas consumiam espirulina sob a forma de caldo, que era adicionado a tudo o que comiam; o mesmo ocorreu no Norte de África, no seio de algumas tribos indígenas.
Somente há cerca de 30 anos é que a espirulina foi redescoberta pelos cientistas, vindo a ser utilizada de modo seguro e eficaz como suplemento nutricional nos últimos 20 anos. Países como o Japão, França e EUA consideram a Arthrospira platensis uma das maiores descobertas no campo da alimentação naturista, do último século.
Arthrospira platensis é uma cianobactéria microscópica de forma espiralada, normalmente denominada de microalga azul, por conter pigmentos azuis, as ficocianinas, que lhe conferem a sua cor azul-esverdeada. Possui ainda outros pigmentos como a clorofilina, de cor verde e os carotenóides, de cor laranja, que lhe permitem realizar fotossíntese em vários comprimentos de onda do espectro solar. Da sua ancestral atividade fotossintética, que remonta a 3.6 bilhões de anos atrás, resultou a atual atmosfera rica em oxigênio, favorável à sobrevivência das espécies vegetais e animais. Sendo uma forma de vida extremamente adaptável, ocorre numa ampla variedade de ambientes aquáticos, e em especial, em águas alcalinas, quentes e ricas em minerais, como no Lago Tschad, em África, e no Lago Texcoco, no México.
Suplemento alimentar completo
Esta microalga oferece 85 a 95 % de proteína vegetal digerível, mais do que qualquer outro alimento conhecido, e contêm todos os aminoácidos essenciais, vitaminas, fitonutrientes e minerais em níveis naturais muito elevados, dos quais são exemplo a vitamina B12, o antioxidante betacaroteno, o raro ácido gamalinoleico (GLA), o ferro e a clorofila (purificador do sangue). E ainda fitonutrientes como os sulfolípidos, os polissacáridos e as ficobilinas, que atuam no sistema imunitário, promovendo a saúde das células e, contribuindo, deste modo, para a prevenção do aparecimento de infecções e de doenças auto-imunes, como o cancro. Características que a tornam num suplemento alimentar de evidentes benefícios terapêuticos, completo relativamente aos minerais e vitaminas isolados.
Os suplementos de espirulina são úteis na manutenção da saúde em geral; como forma de obter energia, no caso de carências nutritivas, para limpar e desintoxicar o organismo, prevenir acidentes vasculares e infecções, aliviar os sintomas pré-menstruais, devido ao seu alto teor em ferro, ajudar a controlar o peso, e em dietas de emagrecimento.
Arthrospira platensis contendo fenilalanina atua como supressor do apetite, produzindo uma sensação de saciedade que induz a pessoa a comer menos, auxiliando assim em situações de obesidade, sem a ocorrência de perdas nutricionais.
Os complementos podem ser ingeridos por todos, e especialmente por aqueles que sofrem de má absorção intestinal ou perturbações digestivas, desde as crianças aos idosos. A sua utilização é também aconselhada na dieta dos atletas, uma vez que previne cãibras e a fadiga muscular.
Fonte com grande concentração de vitamina B-12, é ainda útil em casos de regimes alimentares alternativos, caso do vegetarianismo e veganismo. Assim, e devido à sua extraordinária composição proteica, é o complemento ideal para qualquer tipo de dieta, sendo capaz de proporcionar ao organismo importantes substâncias nutritivas, sem sobrecarregá-lo de gorduras ou hidratos de carbono.
Estudos revelam que os nutrientes fornecidos pela espirulina são melhor digeridos e absorvidos do que os suplementos, vitamínicos e minerais, isolados. A experiência dos consumidores de longa data e os dados científicos sugerem que a ingestão de 3 a 10 gramas diárias, geralmente sob a forma de comprimidos e cápsulas, a tomar em qualquer altura, ou em pó a adicionar a alimentos líquidos, constitui uma opção saudável.
Do ponto de vista ecológico, o consumo de espirulina pode reduzir grandemente o desbaste de árvores, evitando a desflorestação para a criação de campos de agricultura e de pastagens para o gado, uma vez que o seu elevado teor protéico é 20 e 200 vezes superior ao da soja e da carne de vaca, respectivamente. Assim, ao incluirmos os complementos de espirulina em nossa alimentação, não estamos só melhorando a nossa saúde, como, também, contribuindo para o bem-estar do planeta.
Nome Comum: Espirulina
Outros Nomes: alga azul, alga-marinha, microalga
Sinônimos: Arthrospira platensis (Nordstedt) Gomont
Espirulina – suplemento nutricional e ecológico
Para além do potencial ecológico, uma vez que surge como uma alternativa saudável à carne, a espirulina é, sobretudo, reconhecida pelas suas principais ações no organismo humano:
• Fortalecimento do sistema imunitário
• Suporte da função cardiovascular e manutenção de níveis adequados de colesterol
• Melhor funcionamento do sistema digestivo e gastrointestinal
• Promoção da limpeza geral do organismo e desintoxicação
• Proteção antioxidante e redução de infecções
A raposa vinha descendo do céu, quando os papagaios arrebentaram, a bicada, a corda pela qual ela deslizava.
A raposa se espatifou contra os altos picos da cordilheira dos Andes e, ao se espatifar, espalhou a quinua que trazia na barriga, roubada dos festejos celestes.
Assim, a comida dos deuses foi semeada no mundo.
Desde aquela época, a quinua vive em terras muito altas, onde só ela é capaz de agüentar a aridez e o frio.
O mercado mundial jamais prestou a menor atenção a essa desprezível comida de índio, até que se soube que o minúsculo grãozinho, capaz de crescer onde nada cresce, é um alimento muito bom, não engorda e evita algumas doenças. Em 1994, a quinua foi patenteada por dois pesquisadores da Colorado State University (US Patent 5304718).
Desatou-se, então, a fúria dos camponeses. Os patenteadores asseguraram que não iam usar seu direito legal de proibir o cultivo, nem cobrar nada por isso, mas os camponeses, indígenas bolivianos, responderam:
- Não precisamos que venha nenhum professor dos Estados Unidos nos doar o que é nosso.
Quatro anos mais tarde, o escândalo universal obrigou a Colorado State University a renunciar à patente.
Eduardo Galeano, Espelhos – uma história quase universal, L&PM Editores, 2008, página 323
Vitamina energética de viagem
2 bananas bem maduras
4 copos de água de coco
1 colher de sopa de espirulina* em pó (fonte de B12)
1 colher de sopa de linhaça germinada
2 polpas de dois cocos verdes
Bater tudo e tomar em seguida
Pode usar uns gelinhos para contrabalancear o aquecimento do liquidificador.
http://www.comidavivaecologica.ning.com/
* Espirulina
Contém mais nutrientes que qualquer alimento conhecido. Enquanto se investigam novos alimentos e plantas para melhorar a qualidade e prolongar o tempo de vida, esta alga coloca-se na vanguarda da revolução nutricional.
A espirulina, nome comercial desta espécie, constituiu, desde sempre, uma fonte suplementar na alimentação das populações que habitavam nas proximidades de lagos. De fato, sabe-se que os Astecas consumiam espirulina sob a forma de caldo, que era adicionado a tudo o que comiam; o mesmo ocorreu no Norte de África, no seio de algumas tribos indígenas.
Somente há cerca de 30 anos é que a espirulina foi redescoberta pelos cientistas, vindo a ser utilizada de modo seguro e eficaz como suplemento nutricional nos últimos 20 anos. Países como o Japão, França e EUA consideram a Arthrospira platensis uma das maiores descobertas no campo da alimentação naturista, do último século.
Arthrospira platensis é uma cianobactéria microscópica de forma espiralada, normalmente denominada de microalga azul, por conter pigmentos azuis, as ficocianinas, que lhe conferem a sua cor azul-esverdeada. Possui ainda outros pigmentos como a clorofilina, de cor verde e os carotenóides, de cor laranja, que lhe permitem realizar fotossíntese em vários comprimentos de onda do espectro solar. Da sua ancestral atividade fotossintética, que remonta a 3.6 bilhões de anos atrás, resultou a atual atmosfera rica em oxigênio, favorável à sobrevivência das espécies vegetais e animais. Sendo uma forma de vida extremamente adaptável, ocorre numa ampla variedade de ambientes aquáticos, e em especial, em águas alcalinas, quentes e ricas em minerais, como no Lago Tschad, em África, e no Lago Texcoco, no México.
Suplemento alimentar completo
Esta microalga oferece 85 a 95 % de proteína vegetal digerível, mais do que qualquer outro alimento conhecido, e contêm todos os aminoácidos essenciais, vitaminas, fitonutrientes e minerais em níveis naturais muito elevados, dos quais são exemplo a vitamina B12, o antioxidante betacaroteno, o raro ácido gamalinoleico (GLA), o ferro e a clorofila (purificador do sangue). E ainda fitonutrientes como os sulfolípidos, os polissacáridos e as ficobilinas, que atuam no sistema imunitário, promovendo a saúde das células e, contribuindo, deste modo, para a prevenção do aparecimento de infecções e de doenças auto-imunes, como o cancro. Características que a tornam num suplemento alimentar de evidentes benefícios terapêuticos, completo relativamente aos minerais e vitaminas isolados.
Os suplementos de espirulina são úteis na manutenção da saúde em geral; como forma de obter energia, no caso de carências nutritivas, para limpar e desintoxicar o organismo, prevenir acidentes vasculares e infecções, aliviar os sintomas pré-menstruais, devido ao seu alto teor em ferro, ajudar a controlar o peso, e em dietas de emagrecimento.
Arthrospira platensis contendo fenilalanina atua como supressor do apetite, produzindo uma sensação de saciedade que induz a pessoa a comer menos, auxiliando assim em situações de obesidade, sem a ocorrência de perdas nutricionais.
Os complementos podem ser ingeridos por todos, e especialmente por aqueles que sofrem de má absorção intestinal ou perturbações digestivas, desde as crianças aos idosos. A sua utilização é também aconselhada na dieta dos atletas, uma vez que previne cãibras e a fadiga muscular.
Fonte com grande concentração de vitamina B-12, é ainda útil em casos de regimes alimentares alternativos, caso do vegetarianismo e veganismo. Assim, e devido à sua extraordinária composição proteica, é o complemento ideal para qualquer tipo de dieta, sendo capaz de proporcionar ao organismo importantes substâncias nutritivas, sem sobrecarregá-lo de gorduras ou hidratos de carbono.
Estudos revelam que os nutrientes fornecidos pela espirulina são melhor digeridos e absorvidos do que os suplementos, vitamínicos e minerais, isolados. A experiência dos consumidores de longa data e os dados científicos sugerem que a ingestão de 3 a 10 gramas diárias, geralmente sob a forma de comprimidos e cápsulas, a tomar em qualquer altura, ou em pó a adicionar a alimentos líquidos, constitui uma opção saudável.
Do ponto de vista ecológico, o consumo de espirulina pode reduzir grandemente o desbaste de árvores, evitando a desflorestação para a criação de campos de agricultura e de pastagens para o gado, uma vez que o seu elevado teor protéico é 20 e 200 vezes superior ao da soja e da carne de vaca, respectivamente. Assim, ao incluirmos os complementos de espirulina em nossa alimentação, não estamos só melhorando a nossa saúde, como, também, contribuindo para o bem-estar do planeta.
Nome Comum: Espirulina
Outros Nomes: alga azul, alga-marinha, microalga
Sinônimos: Arthrospira platensis (Nordstedt) Gomont
Espirulina – suplemento nutricional e ecológico
Para além do potencial ecológico, uma vez que surge como uma alternativa saudável à carne, a espirulina é, sobretudo, reconhecida pelas suas principais ações no organismo humano:
• Fortalecimento do sistema imunitário
• Suporte da função cardiovascular e manutenção de níveis adequados de colesterol
• Melhor funcionamento do sistema digestivo e gastrointestinal
• Promoção da limpeza geral do organismo e desintoxicação
• Proteção antioxidante e redução de infecções
Artigo publicado na Performance nº 56
Autor: Dr. Pedro Lôbo do Vale (médico)
http://www.performance.clix.pt
sábado, 23 de janeiro de 2010
Campanha: segunda sem carne
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Direitos humanos e os direitos dos animais
Morte de animal em rodovia foi crime ambiental, diz advogada
Policial foi flagrado ao matar bovino a tiros na BR-040, em Minas Gerais.
Para a Polícia Rodoviária Federal, agente agiu de forma correta.
A advogada e presidente da União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), Vanice Orlandi, disse ao G1 que o agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) desrespeitou leis de proteção animal e cometeu um crime ambiental ao matar a tiros um bovino na BR-040, na região da Grande Belo Horizonte, na quarta- feira (6).
Bois e vacas ficaram espalhados pela pista após um acidente e, segundo a assessoria de imprensa da PRF, o policial teria atirado porque os animais soltos na estrada poderiam provocar mais colisões. O policial teria sido autorizado pelo dono da carga a atirar. Ainda de acordo com o órgão, a ação do policial foi correta, pois ele estaria defendendo a si próprio e a outros motoristas.
Vanice discorda e ressalta que o policial deveria ter acionado órgãos especializados para remover o animal. “Ele dispunha de outros meios para evitar acidentes. Poderia parar o tráfego e acionar o Centro de Controle de Zoonoses, que também está apto a resgatar caprinos, equinos e bovinos”, afirma.
Trabalho escravo
Por ADRIANA GRAGNANI
"Em aproximadamente 14 anos, o Ministério do Trabalho resgatou 36.169 trabalhadores em situação análoga à de escravos. No dia 8 de janeiro, a Folha informou que o BNDES suspendeu os financiamentos à empresa Cosan, do setor da agroindústria, em razão de terem sido localizados em seus empreendimentos trabalhadores nessa abjeta situação. Ainda, no mesmo dia, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, teceu críticas ao Plano Nacional de Direitos Humanos, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, por considerá-lo preconceituoso com o setor da agroindústria. Cinde, o servidor público, as políticas de sua pasta e a realidade nacional. Eu, como cidadã, estou muito contente com o ministro Vannuchi, que apresentou um plano abrangente e diversificado de ações que visam a garantia da dignidade da pessoa humana. Eu, como brasileira, estou feliz porque esse plano contempla a possibilidade de conhecermos nossa história e, conhecendo-a, aumentar as condições para a consolidação de um Estado democrático no Brasil."
Publicado no jornal Folha de S.Paulo
Sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Painel do Leitor
Policial foi flagrado ao matar bovino a tiros na BR-040, em Minas Gerais.
Para a Polícia Rodoviária Federal, agente agiu de forma correta.
A advogada e presidente da União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), Vanice Orlandi, disse ao G1 que o agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) desrespeitou leis de proteção animal e cometeu um crime ambiental ao matar a tiros um bovino na BR-040, na região da Grande Belo Horizonte, na quarta- feira (6).
Bois e vacas ficaram espalhados pela pista após um acidente e, segundo a assessoria de imprensa da PRF, o policial teria atirado porque os animais soltos na estrada poderiam provocar mais colisões. O policial teria sido autorizado pelo dono da carga a atirar. Ainda de acordo com o órgão, a ação do policial foi correta, pois ele estaria defendendo a si próprio e a outros motoristas.
Vanice discorda e ressalta que o policial deveria ter acionado órgãos especializados para remover o animal. “Ele dispunha de outros meios para evitar acidentes. Poderia parar o tráfego e acionar o Centro de Controle de Zoonoses, que também está apto a resgatar caprinos, equinos e bovinos”, afirma.
Trabalho escravo
Por ADRIANA GRAGNANI
"Em aproximadamente 14 anos, o Ministério do Trabalho resgatou 36.169 trabalhadores em situação análoga à de escravos. No dia 8 de janeiro, a Folha informou que o BNDES suspendeu os financiamentos à empresa Cosan, do setor da agroindústria, em razão de terem sido localizados em seus empreendimentos trabalhadores nessa abjeta situação. Ainda, no mesmo dia, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, teceu críticas ao Plano Nacional de Direitos Humanos, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, por considerá-lo preconceituoso com o setor da agroindústria. Cinde, o servidor público, as políticas de sua pasta e a realidade nacional. Eu, como cidadã, estou muito contente com o ministro Vannuchi, que apresentou um plano abrangente e diversificado de ações que visam a garantia da dignidade da pessoa humana. Eu, como brasileira, estou feliz porque esse plano contempla a possibilidade de conhecermos nossa história e, conhecendo-a, aumentar as condições para a consolidação de um Estado democrático no Brasil."
Publicado no jornal Folha de S.Paulo
Sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Painel do Leitor
domingo, 10 de janeiro de 2010
MURUMURU (MURU-MURU_ (Astrocaryum murumurú, Arecaceae)
Luiz Roberto Morais
ÉPOCA DE COLHEITA
Baixa Estação: janeiro e maio
Alta estação: fevereiro, março e abril
Entresafra: junho a dezembro
DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E COMPOSIÇÃO GRAXA
A manteiga de murumuru é uma gordura in natura, rica em ácidos láurico, mirístico e oléico. O fruto contém uma gordura branca, inodora e sem gosto especial com a vantagem de não rançar facilmente, pois é rica em ácidos graxos saturados de cadeia curta como os ácidos láurico e mirístico. A qualidade desta gordura, não é muito diferente da gordura da amêndoa do tucumã, do dendê e do coco, porém ela tem a vantagem de apresentar maior consistência por causa de seu ponto de fusão (32,5ºC), que é superior á do dendê (25ºC) e do coco (22,7ºC). A qualidade desse óleo possibilita a mistura com outras gorduras vegetais que derretem a temperatura mais baixa. Ela pode também entrar no preparo de um substituto parcial da manteiga de cacau, na fabricação do chocolate proporcionando ao chocolate uma consistência mais firme em locais com temperatura mais elevada.
A gordura do murumuru tem a grande vantagem de possuir baixa acidez (4 a 5 %), especialmente quando preparada com amêndoas frescas, o que diminui os custos de refinamento.
O uso do óleo de murumuru traz inúmeras vantagens para a pele e os cabelos. A manteiga de murumuru é altamente nutritiva, emoliente e hidratante ao cabelo e possibilita a recuperação da umidade e elasticidade natural da pele. A manteiga do murumuru é utilizada em pequenas proporções em xampus (0,5% até 1%) e em formulações de condicionadores, cremes e loções hidratantes, sabonetes, batons e desodorantes (0,5% até 8%).
ECOLOGIA
A palmeira murumuru (Astrocaryum murumuru) é abundante na região amazônica brasiliera estendendo-se até a fronteira com a Bolívia e Peru. Ela cresce de preferência em áreas periodicamente alagadas, especialmente nas ilhas e terrenos baixos a beira dos rios, em todo o estuário do Rio Amazonas e seus afluentes, em formações florestais densas ou semi-abertas. É também encontrado com freqüência nas terras de várzea da Ilha de Marajó. O tronco, as folhas e o cacho de frutas são recobertos de espinhos de cor preta, são duros, resistentes e no tronco podem alcançar mais de 20 cm de comprimento, o que torna penosa a colheita deste fruto.
Quando o fruto está maduro, o cacho cai inteiro ao chão. O fruto é coberto por uma polpa amarela, que é bastante apreciada como alimento pelos animais roedores, que deixa o caroço limpo. O caroço contém uma casca lenhosa e somente em estado seco é possível de separar a casca da amêndoa. Em geral, 100 kg de caroços secos (12 – 15% de umidade) rendem entre 27 a 29 kg de amêndoas, que devem ser submetidas a um processo de secagem para alcançar 5 a 6% de umidade para evitar a deterioração durante o armazenamento. Da amêndoa podem ser obtidos 40 a 42 % de óleo. Um pé de murumuru produz cerca de 11 kg de caroço seco e através de extração hidráulica o rendimento de óleo pode chegar até 35% do peso seco da amêndoa, equivalendo a cerca de 3,8 ltr por pé de murumuru. Antes da extração hidráulica, devido à dureza das sementes, haveria a necessidade de moagem preliminar, realizada através do uso de moinhos de discos, fortes e resistentes.
Um quilograma de frutos despolpados contém aproximadamente 50 caroços. A germinação das sementes é moderada e o crescimento no campo é lento.
REFERÊNCIAS UTILIZADAS
PESCE, C.: Oleaginosas da Amazônia, 1941, Oficinas Gráficas da Revista Veterinária, Belém/PA
MORAIS, L. R. Banco de Dados Sobre Espécies Oleaginosas da Amazônia, não-publicado
PINTO, G.P.; Características físico-químicas e outras informações sobre as principais oleaginosas do Brasil. Recife: Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias do Nordeste, Boletim Técnico18, 1963.
http://www.amazonoil.com.br
ÉPOCA DE COLHEITA
Baixa Estação: janeiro e maio
Alta estação: fevereiro, março e abril
Entresafra: junho a dezembro
DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E COMPOSIÇÃO GRAXA
A manteiga de murumuru é uma gordura in natura, rica em ácidos láurico, mirístico e oléico. O fruto contém uma gordura branca, inodora e sem gosto especial com a vantagem de não rançar facilmente, pois é rica em ácidos graxos saturados de cadeia curta como os ácidos láurico e mirístico. A qualidade desta gordura, não é muito diferente da gordura da amêndoa do tucumã, do dendê e do coco, porém ela tem a vantagem de apresentar maior consistência por causa de seu ponto de fusão (32,5ºC), que é superior á do dendê (25ºC) e do coco (22,7ºC). A qualidade desse óleo possibilita a mistura com outras gorduras vegetais que derretem a temperatura mais baixa. Ela pode também entrar no preparo de um substituto parcial da manteiga de cacau, na fabricação do chocolate proporcionando ao chocolate uma consistência mais firme em locais com temperatura mais elevada.
A gordura do murumuru tem a grande vantagem de possuir baixa acidez (4 a 5 %), especialmente quando preparada com amêndoas frescas, o que diminui os custos de refinamento.
O uso do óleo de murumuru traz inúmeras vantagens para a pele e os cabelos. A manteiga de murumuru é altamente nutritiva, emoliente e hidratante ao cabelo e possibilita a recuperação da umidade e elasticidade natural da pele. A manteiga do murumuru é utilizada em pequenas proporções em xampus (0,5% até 1%) e em formulações de condicionadores, cremes e loções hidratantes, sabonetes, batons e desodorantes (0,5% até 8%).
ECOLOGIA
A palmeira murumuru (Astrocaryum murumuru) é abundante na região amazônica brasiliera estendendo-se até a fronteira com a Bolívia e Peru. Ela cresce de preferência em áreas periodicamente alagadas, especialmente nas ilhas e terrenos baixos a beira dos rios, em todo o estuário do Rio Amazonas e seus afluentes, em formações florestais densas ou semi-abertas. É também encontrado com freqüência nas terras de várzea da Ilha de Marajó. O tronco, as folhas e o cacho de frutas são recobertos de espinhos de cor preta, são duros, resistentes e no tronco podem alcançar mais de 20 cm de comprimento, o que torna penosa a colheita deste fruto.
Quando o fruto está maduro, o cacho cai inteiro ao chão. O fruto é coberto por uma polpa amarela, que é bastante apreciada como alimento pelos animais roedores, que deixa o caroço limpo. O caroço contém uma casca lenhosa e somente em estado seco é possível de separar a casca da amêndoa. Em geral, 100 kg de caroços secos (12 – 15% de umidade) rendem entre 27 a 29 kg de amêndoas, que devem ser submetidas a um processo de secagem para alcançar 5 a 6% de umidade para evitar a deterioração durante o armazenamento. Da amêndoa podem ser obtidos 40 a 42 % de óleo. Um pé de murumuru produz cerca de 11 kg de caroço seco e através de extração hidráulica o rendimento de óleo pode chegar até 35% do peso seco da amêndoa, equivalendo a cerca de 3,8 ltr por pé de murumuru. Antes da extração hidráulica, devido à dureza das sementes, haveria a necessidade de moagem preliminar, realizada através do uso de moinhos de discos, fortes e resistentes.
Um quilograma de frutos despolpados contém aproximadamente 50 caroços. A germinação das sementes é moderada e o crescimento no campo é lento.
REFERÊNCIAS UTILIZADAS
PESCE, C.: Oleaginosas da Amazônia, 1941, Oficinas Gráficas da Revista Veterinária, Belém/PA
MORAIS, L. R. Banco de Dados Sobre Espécies Oleaginosas da Amazônia, não-publicado
PINTO, G.P.; Características físico-químicas e outras informações sobre as principais oleaginosas do Brasil. Recife: Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias do Nordeste, Boletim Técnico18, 1963.
http://www.amazonoil.com.br
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Experiências em animais
"Quando sou questionado por que gasto tanto do meu tempo e dinheiro falando sobre os animais, quando existe tanta crueldade com os homens respondo: estou trabalhando na raiz do problema."
George Angel, fundador da SPCA EUA
Pode ser enquadrado como crime federal
O uso de animais no Brasil é proibido em estabelecimentos de ensino secundário desde 1979. O uso de animais em estabelecimentos de ensino superior contraria a legislação, especificamente a Lei de Crimes Ambientais, que declara, nos Crimes Contra o Meio Ambiente (Capítulo V):
Art. 32 – Praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.
§1. – Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§2. – A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
O bem
A 1Rnet oferece apoio prático aos professores para a substituição do uso prejudicial de animais, através de métodos substitutivos diversos: http://www.1rnet.org
O Instituto Nina Rosa promove e valoriza a vida animal por meio da educação humanitária: www.institutoninarosa.org.br
O mal
Algumas empresas e instituições que “em nome da ciência” lucram com o sofrimento de animais:
O Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (Cobea): http://www.cobea.org.br – empresas que “alimentam” a crueldade desta ONG:
– Equipamentos
ABH Comércio e Serviços: http://www.abh.com.br (não está entrando na internet);
Alesco Indústria e Comércio Ltda: www.alesco.ind.br
Allentown Inc: www.allentowninc.com
Alternative Design Manufacturing & Supply, Inc.: www.altdesign.com
Atlas Copco Ltda: www.atlascopco.com.br
AVS Projetos: www.avsprojetos.com.br
Baumer SA: www.baumer.com.br
Cherem: (não indica página na internet)
Cisa: www.cisabrasile.com.br
Filtracom: www.filtracom.com.br
Insight: www.insightltda.com.br
Microblau: www.microblau.com.br
Nitrosemen: (não indica página na internet)
Ortosintese: www.ortosintese.com.br
Ourofino: www.ourofino.com
Panlab: www.panlab.com
Pensalab: (não indica página na internet)
Spectrun: www.spectrun.com.br
STEQ: www.steq.com.br
Taimin: www.talmin.com.br
Tecniplast: www.tecniplast.it
Vestige: www.vestige.com.br
Vidy: www.vidy.com.br
– Higienização
Alsco: www.alsco.com.br
Atmosfera: www.atmosfera.com.br
Berkshire: www.berkshire.com
Incinera: www.incinera.com.br
MPW: www.mpw.com.br
S&S Lavanderia Industrial: www.ssindustrial.com.br
– Instalações
Asmontec: www.asmontec.com.br
Engefarma: www.engefarma.com.br
Neuluft: www.neuluft.com.br
Nova Opção: (não indica página na internet)
Pharmaplan: www.pharmaplan.com.br
– Nutrição
Nutricol: www.nutricolalimentos.com.br
Nuvital: www.nuvital.com.br
– Produtos
Alem Mar: www.alemmar.com.br
Alesco: www.alesco.ind.br
Beira Mar: www.beira-mar.com
Celta Brasil: www.celtabrasil.com.br
Grupo Vidy: www.filtracom.com.br
Hemo In: www.hemoin.com.br
Instrulab: www.instrulab.com.br
IWT (empresa do Grupo Tecniplast): www.iwtsrl.com
Sogorb: http://sogorb.com.br/ (não está entrando na internet)
Tecniplast: www.tecniplast.it
Lab Products: www.labproductsinc.com/
George Angel, fundador da SPCA EUA
Pode ser enquadrado como crime federal
O uso de animais no Brasil é proibido em estabelecimentos de ensino secundário desde 1979. O uso de animais em estabelecimentos de ensino superior contraria a legislação, especificamente a Lei de Crimes Ambientais, que declara, nos Crimes Contra o Meio Ambiente (Capítulo V):
Art. 32 – Praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.
§1. – Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§2. – A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
O bem
A 1Rnet oferece apoio prático aos professores para a substituição do uso prejudicial de animais, através de métodos substitutivos diversos: http://www.1rnet.org
O Instituto Nina Rosa promove e valoriza a vida animal por meio da educação humanitária: www.institutoninarosa.org.br
O mal
Algumas empresas e instituições que “em nome da ciência” lucram com o sofrimento de animais:
O Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (Cobea): http://www.cobea.org.br – empresas que “alimentam” a crueldade desta ONG:
– Equipamentos
ABH Comércio e Serviços: http://www.abh.com.br (não está entrando na internet);
Alesco Indústria e Comércio Ltda: www.alesco.ind.br
Allentown Inc: www.allentowninc.com
Alternative Design Manufacturing & Supply, Inc.: www.altdesign.com
Atlas Copco Ltda: www.atlascopco.com.br
AVS Projetos: www.avsprojetos.com.br
Baumer SA: www.baumer.com.br
Cherem: (não indica página na internet)
Cisa: www.cisabrasile.com.br
Filtracom: www.filtracom.com.br
Insight: www.insightltda.com.br
Microblau: www.microblau.com.br
Nitrosemen: (não indica página na internet)
Ortosintese: www.ortosintese.com.br
Ourofino: www.ourofino.com
Panlab: www.panlab.com
Pensalab: (não indica página na internet)
Spectrun: www.spectrun.com.br
STEQ: www.steq.com.br
Taimin: www.talmin.com.br
Tecniplast: www.tecniplast.it
Vestige: www.vestige.com.br
Vidy: www.vidy.com.br
– Higienização
Alsco: www.alsco.com.br
Atmosfera: www.atmosfera.com.br
Berkshire: www.berkshire.com
Incinera: www.incinera.com.br
MPW: www.mpw.com.br
S&S Lavanderia Industrial: www.ssindustrial.com.br
– Instalações
Asmontec: www.asmontec.com.br
Engefarma: www.engefarma.com.br
Neuluft: www.neuluft.com.br
Nova Opção: (não indica página na internet)
Pharmaplan: www.pharmaplan.com.br
– Nutrição
Nutricol: www.nutricolalimentos.com.br
Nuvital: www.nuvital.com.br
– Produtos
Alem Mar: www.alemmar.com.br
Alesco: www.alesco.ind.br
Beira Mar: www.beira-mar.com
Celta Brasil: www.celtabrasil.com.br
Grupo Vidy: www.filtracom.com.br
Hemo In: www.hemoin.com.br
Instrulab: www.instrulab.com.br
IWT (empresa do Grupo Tecniplast): www.iwtsrl.com
Sogorb: http://sogorb.com.br/ (não está entrando na internet)
Tecniplast: www.tecniplast.it
Lab Products: www.labproductsinc.com/
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